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Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 237

As horas passaram sem que nenhum dos dois percebesse.

O parque já não estava tão movimentado. Algumas barracas começavam a recolher seus produtos, enquanto famílias deixavam o local e os grupos de amigos se dispersavam. As luzes continuavam acesas entre as árvores, iluminando os caminhos por onde Eduardo e Helena haviam caminhado durante horas.

Eles já tinham andado bastante e, agora, caminhavam lado a lado em silêncio.

Não era um silêncio desconfortável, era tranquilo como se a presença um do outro os completasse.

Até que Eduardo parou.

Helena deu mais alguns passos antes de perceber que ele havia ficado para trás. Quando se virou, encontrou-o imóvel, olhando para algum ponto distante.

Havia algo diferente em seu semblante e Eduardo parecia não estar mais naquele parque. Uma lembrança havia surgido de repente.

Ele era apenas um menino, talvez tivesse oito ou nove anos.

Lembrou-se de uma tarde distante, de um parque muito parecido com aquele. Lembrou-se de suas pequenas mãos segurando um algodão-doce enorme, muito maior do que conseguia comer. Leonardo corria alguns metros à frente, rindo enquanto tentava alcançar alguma coisa que ele já não conseguia lembrar.

Mais atrás, seus pais caminhavam juntos. Gilberto segurava a mão de Olívia, e os dois sorriam enquanto observavam os filhos.

Por um instante, Eduardo quase conseguiu ouvir a própria risada de criança.

Sentiu novamente o vento no rosto, ouviu a voz de Leonardo chamando por ele e teve a estranha sensação de que aquela tarde nunca havia realmente desaparecido. Apenas ficara esquecida em algum lugar dentro dele.

— Eduardo?

A voz de Helena o trouxe de volta e ele piscou algumas vezes.

— O quê?

— Você ficou quieto de repente.

Eduardo olhou para ela. Havia um pequeno sorriso nos lábios de Helena, mas seus olhos demonstravam preocupação.

Ele respirou profundamente antes de responder.

— Eu estava me lembrando de uma coisa. — Eduardo voltou os olhos para o parque. — Da minha infância.

Helena permaneceu em silêncio, esperando.

— Faz tanto tempo... — murmurou ele. — Às vezes acho que a gente simplesmente esquece que um dia foi criança. Que já correu sem se preocupar com o amanhã. Que podia passar uma tarde inteira fazendo coisas que hoje parecem insignificantes.

Helena o observava atentamente e não disse nada.

— A vida parecia mais simples. — Eduardo sorriu de leve, mas havia uma ponta de melancolia naquele sorriso. — E… mais feliz também.

Por alguns minutos, Eduardo não era o poderoso empresário, o homem que todos respeitavam e temiam, nem o responsável por um império construído sobre decisões difíceis.

Era apenas um homem caminhando ao lado de uma mulher que, sem perceber, havia conseguido fazê-lo reencontrar uma parte de si mesmo que acreditava ter perdido havia muitos anos.

Eduardo voltou a olhar para Helena.

— Obrigado.

Ela franziu levemente a testa.

— Pelo quê?

Ele pensou em responder, mas desistiu.

— Por nada e… por tudo

Helena sorriu para ele e Eduardo percebeu que talvez aquela fosse a resposta mais verdadeira que poderia dar.

Depois de alguns segundos, olhou para o relógio.

— Está ficando tarde. É melhor voltarmos. Amanhã será um dia cheio.

— Tudo bem.

Eduardo pegou o celular e ligou para Nelson.

Não demorou muito para que o carro surgisse próximo à entrada do parque. Na verdade, Nelson permaneceu por perto durante toda a noite, assim como os seguranças, mantendo distância suficiente para que o casal pudesse aproveitar aquela pequena fuga da rotina.

O motorista desceu imediatamente e abriu a porta. Eduardo fez um gesto para que Helena entrasse primeiro, ele entrou logo depois.

A SUV dos seguranças apareceu alguns metros atrás e os homens acompanharam o carro assim que partiram.

Eduardo permaneceu em silêncio. Naquela noite, por algumas horas, ele havia esquecido contratos, reuniões, cifras, responsabilidades e até mesmo o nome que carregava. Ele permaneceu em silêncio por alguns instantes, olhando pela janela enquanto as luzes do parque desapareciam pouco a pouco.

Então voltou os olhos para Helena.

— Obrigado pela noite.

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