Eduardo passou o polegar pela borda da caixa, sem conseguir evitar, a lembrança de Helena ao lado de Danilo surgiu imediatamente em sua mente.
Seu semblante se fechou. Por um instante, sentiu novamente aquela irritação que não conseguia explicar. Mas afastou esse pensamento e lembrou dos últimos dias como eles estavam bem mais próximos.
Eduardo fechou os olhos por um instante, ele nunca havia sido um homem romântico. Não precisava enviar flores para conquistar uma mulher, nem oferecer presentes inesperados.
Durante toda a sua vida, eram as mulheres que procuravam atrair sua atenção. Por isso, gestos de carinho sempre lhe pareceram desnecessários.
Sempre foi generoso, mas não por carinho, era mais uma forma de compensação . Exceto com uma pessoa do passado, que agora havia sido enterrada para sempre de suas memórias.
Mas, estranhamente, quando pensava em Helena, aquelas convicções começavam a perder força. Ele queria vê-la usando aquela joia, queria ser diferente.
Eduardo deixou o quarto e atravessou o corredor em direção ao quarto de Helena.
A porta estava entreaberta. Ele bateu duas vezes antes de entrar.
— Helena?
— Pode entrar.
Eduardo abriu a porta e parou por um instante.
Helena estava sentada diante da penteadeira, enquanto o cabeleireiro finalizava seu penteado. A maquiadora estava ao lado, conferindo os últimos detalhes da maquiagem.
Ela usava apenas um robe de seda bege, preso na cintura. Os cabelos, ainda em processo de preparação, já começavam a revelar o penteado elaborado que usaria naquela noite.
Helena virou o rosto ao perceber a presença dele.
— Eduardo?
Ele não respondeu imediatamente.
Seu olhar percorreu Helena por alguns segundos antes que percebesse que estava fazendo isso. Mesmo sem o vestido de gala, sem as joias e sem estar completamente pronta, ela estava linda.
— Desculpe interromper — disse finalmente.
O cabeleireiro sorriu discretamente.
— Estamos quase terminando, senhor Monteiro.
Eduardo assentiu.
— Tudo bem. Ainda temos tempo.
— Aconteceu alguma coisa?
O olhar dele encontrou o dela através do espelho.
— Vou esperar você terminar de se arrumar.
Helena piscou, surpresa.
Ela viu Eduardo caminhar até um dos sofás próximos à janela e sentou-se confortavelmente, como se aquela fosse a coisa mais natural do mundo.
Helena sentiu o rosto aquecer.
Ele vai ficar aqui?
Assim que terminaram de pentear e maquiar Helena, ela ergueu os olhos para os dois, deu um sorriso tímido e agradeceu aos dois.
Ela levantou-se e sentiu os olhos de Eduardo o tempo todo sobre ela, instintivamente ela apertou o robe e olhou para ele.
Impossível de saber o que se passava na mente dele naquele momento.
A maquiadora a acompanhou até o quarto de vestir, enquanto o cabeleireiro juntou os materiais, logo depois se despediu de Eduardo e deixou o quarto.
Enquanto aguardava, Eduardo pegou novamente a caixa de veludo e abriu, um leve sorriso surgiu em seus lábios.
Enquanto isso, no quarto de vestir, a maquiadora acabava de fechar o vestido. Helena deu alguns passos diante do espelho. Por alguns segundos, ficou apenas olhando para si mesma.
O vestido verde-esmeralda parecia ter sido feito para ela e para mais ninguém.
O tecido acompanhava suavemente suas curvas e caía em uma saia longa e elegante, que se movia com delicadeza a cada passo. O decote ombro a ombro deixava o colo à mostra, valorizando o colo e os contornos do busto.
Os cabelos presos deixavam o pescoço livre.
A maquiadora sorriu ao observá-la.
— A senhora está verdadeiramente deslumbrante.
Helena agradeceu.
Depois que a maquiadora deixou o quarto, ela pegou a bolsa que combinava com o vestido e respirou fundo diante do espelho.
Naquela noite, seria novamente a esposa de Eduardo Monteiro diante de toda a sociedade. Precisaria sorrir, caminhar ao lado dele e representar o casal perfeito.
Mas alguma coisa estava diferente. Talvez porque começasse a suspeitar que aquela representação já não era completamente falsa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido