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Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 314

Naquela noite, Helena jantou sozinha.

O prato permanecia diante dela quase intacto. A taça de vinho, mal tocada, refletia a luz suave do ambiente.

A comida não tinha sabor.

Helena levou uma pequena porção à boca, obrigando-se a mastigar, mas um nó apertado na garganta tornava até aquele gesto simples difícil.

Tentou comer mais algumas vezes, mas não conseguiu.

A lembrança de Eduardo sentado à sua frente, das conversas durante as refeições, dos pequenos momentos em que ele parecia baixar a guarda, tornava aquela mesa grande demais para uma única pessoa.

Ela fechou os olhos por alguns segundos e respirou fundo.

Não queria perder Eduardo, mas também não sabia mais como protegê-lo daquilo que estava acontecendo.

A ameaça de Danilo pairava sobre ela.

Queria contar para Eduardo, mas sabia que ele ainda não confiava nela o suficiente para acreditar que tudo era uma armação.

*****

Em outra parte da cidade, Eduardo acabara de aquecer um prato de comida congelada no micro-ondas.

Sentou-se sozinho à mesa com uma taça de vinho. Provou a comida e não sentiu gosto algum, deixou o garfo sobre o prato e ficou olhando para a comida.

Foi inevitável lembrar das refeições preparadas por Helena com tanto cuidado. Os dois comendo juntos, a conversa leve e as tentativas dela de se aproximar mais dele.

Eduardo tomou um gole de vinho e lembrou-se da noite anterior e do sorriso de Helena desaparecendo ao avistar Danilo.

Da maneira como ela tentou esconder aquilo dele. Talvez fosse apenas impressão ou talvez os acontecimentos do passado tivessem deixado sua mente alerta demais, fazendo-o enxergar ameaças onde talvez não existissem.

Precisava aprender a confiar, ele sabia disso.

Precisava se libertar das desconfianças que carregava havia anos, da necessidade de antecipar a traição antes que ela acontecesse.

Mas saber disso não tornava mais fácil, confiar significava baixar a guarda e isso para ele exigia mais que apenas querer, exigia uma batalha interior que ele travava sempre que olhava para Helena.

Eduardo levantou os olhos e observou o apartamento ao redor. Tudo era impecável, moderno e discreto.

Mas frio e impessoal demais.

Ele havia escolhido aquele lugar justamente por isso.

Meses antes, vendeu o antigo apartamento e comprou aquele sem hesitar. Não queria que nada lembrasse o antigo. O outro apartamento estava cheio de lembranças de Viviane.

Depois de tudo o que aconteceu, Eduardo não suportava mais entrar ali e sentir que o passado ainda tinha espaço dentro de sua vida.

Precisa livrar-se das amarras do passado e de tudo que o ferira. Aquele apartamento não tinha história, era vazio e frio, assim como ele.

Agora, sentado sozinho diante de uma refeição sem sabor, Eduardo percebeu uma ironia que não gostaria de admitir.

Ele precisava confiar novamente.

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