Entrar Via

Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 33

Eduardo

A noite já avançava, mas as luzes do último andar do Grupo Monteiro permaneciam acesas.

No amplo escritório da presidência, o silêncio era quebrado apenas pelo som das páginas sendo folheadas e pelo leve toque da caneta contra o papel. Eduardo mantinha os olhos fixos no último relatório.

À sua frente, Murilo anotava os ajustes finais com rapidez, já acostumado ao ritmo exigente do chefe.

— Quero tudo pronto amanhã à tarde para assinatura — disse Eduardo, sem erguer o olhar. — Avise o jurídico e o contábil.

— Sim, senhor. Mais alguma coisa? — perguntou Murilo, controlando o cansaço na voz. Já passavam das vinte horas.

Eles haviam passado a tarde inteira mergulhados em documentos, revisões e correções. Mas, naquele dia, Eduardo estava diferente, mais rígido, impaciente e difícil.

Ele implicava com detalhes mínimos, uma palavra mal colocada, uma vírgula fora do lugar, qualquer coisa parecia motivo suficiente para refazer tudo.

Murilo ergueu discretamente os olhos para o chefe. O semblante dele era de cansaço, mas não era apenas isso. Havia algo mais ali, uma tensão, como se estivesse à beira de explodir a qualquer momento.

— Não. Pode ir. — A resposta veio curta, sem sequer olhar para ele.

— Com licença, senhor.

Murilo recolheu as pastas, o tablet e se levantou. Saiu com discrição, como todos haviam aprendido a fazer naquele dia.

Assim que cruzou a porta, soltou o ar respirando aliviado. O ambiente no escritório estava sufocante.

E não era só para ele. Durante a tarde, Eduardo havia sido ríspido com praticamente todos.

A gestora do financeiro saiu da sala visivelmente constrangida depois de uma cobrança desnecessariamente dura. O gestor jurídico foi pressionado por respostas imediatas, sem espaço para ponderações.

Até uma assistente que havia apenas levado documentos para assinatura recebeu uma resposta seca, quase hostil.

Aquilo não era comum. Eduardo sempre foi frio, distante e impessoal, mas raramente injusto e excessivo.

Hoje, não. Hoje, ele parecia descarregar algo que não tinha relação com o trabalho e todos perceberam.

Nos corredores, nos setores, nos elevadores… A orientação era silenciosa, mas clara: Evitar o chefe.

Murilo caminhava pelo corredor silencioso, ele já conhecia bem o ambiente corporativo, mas algo tinha mudado e ele teve certeza que os próximos dias não seriam fáceis.

Porque, seja lá o que estivesse acontecendo com Eduardo Monteiro… Ainda estava longe de terminar.

*****

No escritório, Eduardo permanecia sentado e pensativo

O trabalho sempre o fez manter o foco, manter distância dos pensamentos e sentimentos. Ele pegou um documento qualquer, mas os olhos mal percorriam as linhas. Porque, inevitavelmente, a mente voltava para Helena.

E aquilo o incomodou de verdade. Ele jogou a caneta sobre a mesa com irritação.

— Ótimo… — murmurou, sarcástico. — Agora nem ignorar ela eu consigo.

O maxilar se contraiu. Aquilo precisava parar. E havia uma forma simples de resolver. Distância.

Eduardo levantou decidido. Não iria para casa tão cedo. Quanto menos contato, melhor. Era o caminho mais seguro. Mais racional.

Pegou o celular e hesitou por um segundo antes de abrir e digitar uma mensagem,

“Vou trabalhar até tarde. Não precisa me esperar para o jantar.”

Eduardo leu uma vez. Duas. Três. A expressão dele endureceu, um desconforto imediato, quase instintivo.

Ele não devia satisfação, nenhum dos dois devia. Era esse o acordo, sem envolvimento, sem explicações. Ainda assim… Ele permaneceu parado por alguns segundos. Imóvel. Pensativo.

Então apagou a mensagem, pegou o paletó e saiu, mas não foi para casa.

*****

Helena

Helena olhou mais uma vez para a mesa posta, a comida já fria. Olhou para o relógio já passava das vinte horas.

Pegou o celular, nenhuma mensagem de Eduardo dizendo que estava atrasado ou que chegaria mais tarde, talvez o trabalho… nada.

Pensou em ligar, mas talvez Eduardo não gostasse, ele havia dito que não era para ficar ligando para ele, na verdade ela nunca ligou.

Mas a esperava a tortura, estava ansiosa, queria vê-lo. Sem entender, sentia a casa mais fria com a ausência dele. Olhou mais uma vez para a mesa, o olhar entristeceu, andou pela casa e seus passos a levaram até o magnífico piano branco.

Ela sentou na banqueta e começou a tocar uma música que refletia sua alma, triste e melancólica enquanto aguardava.

A música encheu a casa e Helena nunca se sentiu tão solitária, nem mesmo quando Danilo terminou com ela, a dor era tinha um nome e era ausência, como se faltasse algo para completá-la.

*****

Eduardo

Longe dali, Eduardo acabava de chegar a um bar.

Era um local discreto e bem frequentado e exclusivo para a elite, um daqueles que ele costumava ir com os amigos, antes de tudo acontecer e mudar sua vida.

Mas, naquela noite, ele estava sozinho. Sentou-se no balcão, afrouxou levemente a gravata e pediu uma bebida.

Virou a primeira dose com naturalidade. Depois outra. O olhar distante, perdido em pensamentos que ele não conseguia ou não queria.

Mal percebeu quando ela se sentou ao seu lado.

— Boa noite. — disse a mulher, chamando sua atenção com uma voz suave.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido