Helena e Eduardo
A casa estava silenciosa quando o carro de Eduardo cruzou os portões. As luzes da mansão ainda estavam quase todas acesas.
Ele entrou e tirou o paletó com movimentos lentos, e caminhou em direção à sala de jantar.
Helena estava sentada à mesa. Ainda à sua espera. A mesa posta e intocada e os pratos servidos… já frios.
Ela levantou o olhar quando ele entrou e, por um instante, nenhum dos dois disse nada.
— Você demorou — disse Helena, por fim.
— Tive coisas para resolver. — Disse frio e o olhar gélido
Eduardo observou a mesa.
— Você não jantou? — Perguntou Eduardo seco.
— Eu estava te esperando. — A resposta foi simples.
— Não precisava. — Continuou com o tom mais seco ainda e gélido.
Helena soltou um pequeno suspiro.
— Eu sei. — Helena não desviou o olhar. — Mesmo assim, esperei.
— Já é tarde.
— É. Você já jantou?
— Não.
Outro silêncio.
Helena então se levantou e começou a recolher os pratos com cuidado.
— Vou aquecer a comida — disse ela.
— Não precisa, eu mesmo faço isso.
Ele aproximou-se e pegou um dos pratos antes que ela alcançasse. Helena parou surpresa e os dois ficaram próximos demais, mais do que o necessário.
O ar entre eles mudou, os olhos se encontraram e, por um instante… Tudo pareceu suspenso.
Helena foi a primeira a desviar o olhar.
— Você deveria ter me avisado.
Eduardo apertou levemente o prato entre os dedos.
— Eu não preciso dar satisfação nenhuma a você quando volto para casa ou não.
Helena assentiu levemente baixando os olhos magoados para que ele não visse.
— Certo.
Eduardo deixou o prato sobre a mesa com mais força do que o necessário.
— Então por que ficou me esperando? — Eduardo elevou a voz mais que pretendia.
Helena ergueu o olhar, magoada.
— Porque eu sou sua esposa.
Eduardo a encarou e então Helena desviou o olhar.
— Boa noite, Eduardo.
Ela passou por ele, mas, ao fazer isso, seus braços roçaram de leve, um toque breve e acidental, mas suficiente para acender algo que ambos fingiram não sentir.
Helena seguiu em direção ao quarto sem olhar para trás.
Eduardo ficou ali, parado, diante da mesa posta e a comida fria.
*****
A família reunida
A chácara surgia ao longe como uma pintura antiga, envolta por um silêncio sereno e quase acolhedor.
A estrada de terra, ladeada por árvores altas e antigas, conduzia até a propriedade onde o tempo parecia andar mais devagar.
Eduardo dirigia o carro em silêncio, desde a noite em que ele havia chegado tarde todos os dias, os encontros foram breves e frios e agora, depois de mais de duas horas de viagem, o silêncio entre eles era um incômodo, como se fossem dois desconhecidos que queriam assim permanecer.
A casa principal erguia-se imponente no centro do terreno. Era grande, de arquitetura clássica, com traços coloniais preservados com cuidado ao longo dos anos. As paredes em tom claro contrastavam com as janelas altas de madeira escura, sempre abertas para receber o vento fresco do campo.
A varanda ampla contornava parte da casa, sustentada por colunas elegantes, já marcadas pelo tempo, não pelo desgaste, mas pela história. Cada detalhe parecia carregar lembranças.
À frente, um jardim extenso e meticulosamente cuidado se espalhava como um tapete de cores suaves. Rosas, jasmins e lavandas dividiam espaço com arbustos ornamentais e árvores frutíferas, criando um perfume leve que se misturava ao ar puro.
Havia caminhos de pedra que serpenteavam pelo jardim, levando a pequenos bancos de ferro, estrategicamente posicionados sob a sombra de árvores antigas ou pergolados com bouganville, lugares feitos para conversas longas… ou silêncios para apreciar a natureza.
Mas era o lago que dominava a paisagem.
Grande, tranquilo e espelhado, ele refletia o céu como se fosse uma extensão dele. Suas margens eram contornadas por grama bem aparada e algumas árvores inclinadas, que pareciam se curvar para tocar a água. Em certos pontos, decks de madeira avançavam sobre o lago.
Era impossível olhar para aquele lugar e não sentir algo. Paz… nostalgia… ou até uma melancolia suave.
Ali, Carmen havia vivido toda a sua vida, cada canto da chácara carregava sua presença.
O carro parou em frente à entrada principal. Logo atrás, o carro de Gilberto e Olivia também estacionou.
Mal tiveram tempo de descer, a senhora Carmen surgiu no alto da escada com um sorriso radiante em seu rosto.
— Finalmente chegaram.
Os quatro subiram os degraus, mas, antes que qualquer outro gesto acontecesse, Carmen foi direta até Helena e a abraçou primeiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido