O jantar foi servido na grande sala de jantar da chácara. A mesa, longa e impecavelmente posta, refletia o cuidado de Carmen em cada detalhe. Um ambiente acolhedor com jeito de família reunida.
Helena sentou-se ao lado de Eduardo e ficaram muito próximos, o suficiente para que cada pequeno movimento fosse percebido. O suficiente para que a tensão entre eles não passasse despercebida.
Carmen, à cabeceira da mesa, analisava tudo em silêncio.
— Espero que gostem — disse ela, servindo-se. — Aqui ainda fazemos comida caseira de verdade, simples e deliciosa.
— Está com um cheiro maravilhoso — comentou Helena, educada.
— E está — completou Olivia, sorrindo. — Ninguém cozinha como a mamãe.
— A senhora ainda cozinha? — Perguntou Helena surpresa.
— Sim, querida. Gosto de me manter ocupada e é algo que amo fazer.
O jantar seguiu nos primeiros minutos com conversas leves, histórias da família e lembranças da infância de Olivia.
Mas, em algum momento, a senhora Carmen levantou o olhar direto para Eduardo e Helena.
— Sei que vocês casaram a pouco tempo, mas gostaria muito de ver meu bisneto antes de morrer
Helena sentiu o corpo enrijecer ao lado de Eduardo. Olivia sorriu, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
— Eu também — completou ela, sem hesitar. — Um neto, não seria maravilhoso?
Helena manteve o olhar no prato tentando esconder o rubor dessas palavras e o coração que insistiu em acelerar sem permissão.
Eduardo permaneceu imóvel, mas a tensão no maxilar denunciava o incômodo.
— Nós… ainda não conversamos sobre isso — disse Eduardo, por fim. A voz controlada, mas cuidadosa.
Carmen arqueou levemente as sobrancelhas.
— Então deveriam. Vocês são um casal jovem, saudável… — Ela fez um gesto leve com a mão. — E, convenhamos, formam um lindo casal.
Helena sentiu o olhar de todos, ainda que discretamente. Olivia sorriu, apoiando imediatamente.
— São mesmo. Os dois combinam tanto.
Ela olhou para Helena com carinho.
— E você é linda, minha querida. Não é só bonita… tem uma elegância e serenidade. Já imagino meus bisnetos lindos como você.
Helena forçou um leve sorriso, sem saber exatamente como reagir.
— Obrigada.
Carmen continuou, agora mais observadora.
— E não é só beleza, tem postura. Discrição. Sabe se portar.
Um leve aceno de aprovação.
— Concordo plenamente. — Olivia assentiu. — Isso é raro hoje em dia. Helena é mesmo encantadora.
Do outro lado da mesa, Gilberto lançou um olhar discreto para a esposa. Um alerta silencioso, como se dissesse: “já chega”.
Mas Olivia simplesmente ignorou.
— E uma criança só iria completar tudo isso — acrescentou, naturalmente.
Eduardo então apoiou os talheres com calma.
— Quando for o momento… isso vai acontecer. — A resposta foi firme encerrando o assunto.
Carmen o encarou por alguns segundos, como se avaliasse até onde poderia pressionar. E então… sorriu de leve.
— Espero que não demorem.
Helena abaixou o olhar novamente.
*****
O quarto era amplo, com móveis clássicos, uma varanda que se abria para o jardim e uma cama grande demais para ser ignorada.
Assim que a porta se fechou atrás deles, o silêncio tomou conta.
Helena deu alguns passos pelo quarto, observando o espaço mais para ocupar a mente do que por real interesse.
Eduardo permaneceu próximo à porta por um instante, depois caminhou até o canto do quarto, deixando o celular sobre a cômoda.
— Podemos dividir — disse Helena, sem olhar para ele. — A cama, ela é bem grande

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