Helena acompanhou seus movimentos com o olhar. Quando Eduardo parou diante de sua cadeira, ela precisou erguer o rosto para encará-lo.
Ele tocou delicadamente seu queixo, conduzindo seu olhar ao dele.
— Diga-me, Helena... Está querendo alguma coisa?
Por um instante, ela simplesmente o encarou, tentando entender como aquele jantar, que parecia uma tentativa de reconciliação, havia se transformado em algo mais perigoso.
Nos olhos de Eduardo havia uma intensidade quase ardente, mas também algo mais perturbador. Desconfiança. Talvez uma expectativa silenciosa.
— Não entendo o que você quer dizer — respondeu, num fio de voz.
Ele continuou observando-a.
Helena sentiu o coração acelerar. Havia receio em seu olhar, um certo medo que não conseguia esconder. Ainda assim, por trás da insegurança, persistia a atração que sentia por ele, o desejo estava ali..
Eduardo percebeu as duas coisas e talvez fosse justamente isso que tornasse tudo ainda mais difícil.
Por um breve instante, pareceu prestes a dizer alguma coisa. Seus dedos permaneceram sob o queixo dela, enquanto seu olhar percorria o rosto que conhecia tão bem e que, naquela noite, lhe parecia impossível de decifrar.
Então ele a soltou.
Afastou-se de repente, como se tivesse percebido que estava prestes a ultrapassar um limite que não deveria cruzar.
— Boa noite, Helena.
Antes que ela pudesse responder, Eduardo deixou a cozinha e seguiu pelo corredor sem olhar para trás.
Helena permaneceu sentada, com os dedos tocando distraidamente o colar em seu pescoço.
As joias eram lindas. O jantar havia sido agradável. Por alguns instantes, ela chegara a acreditar que os dois poderiam encontrar um caminho de volta um para o outro.
Mas, mais uma vez, Eduardo a deixara sem respostas.
E, enquanto a música continuava tocando suavemente, Helena percebeu que o presente mais caro não era capaz de lhe oferecer aquilo de que realmente precisava: compreender o homem que amava.
*****
Eduardo tentou manter a calma ao entrar no quarto.
Precisava recuperar o controle, organizar os pensamentos e silenciar aquela inquietação que o acompanhava desde que deixara a cozinha.
Um aperto violento tomou-lhe o peito, roubando-lhe o ar. A ansiedade cresceu depressa, acompanhada por um pânico que ele não conseguia explicar nem conter.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido