Os dois permaneciam imóveis, mesmo sem se tocarem, o calor estava ali. A respiração de um, o mínimo movimento do outro, tudo era percebido.
Helena fechou os olhos, tentando dormir, tentando ignorar, mas a presença dele, tão próxima, era impossível de afastar.
Do outro lado, Eduardo permanecia imóvel, mas desperto. Cada sentido alerta, cada pensamento indo para um lugar que ele não queria admitir. Um leve movimento na cama, quase imperceptível, diminuiu ainda mais a distância entre eles.
Se qualquer um se movesse muito… se tocariam. Nenhum dos dois se moveu, pelo menos não enquanto estiveram acordados.
O sono veio em algum momento, silencioso, sem que nenhum dos dois percebesse quando exatamente cederam ao cansaço.
Helena foi a primeira a despertar. Ainda de olhos fechados, sentiu algo diferente, um calor constante, envolvente, próximo demais. A consciência veio aos poucos, e quando abriu os olhos, seu corpo inteiro enrijeceu.
O rosto apoiado contra o peito nu de Eduardo, sentindo a respiração dele subir e descer de forma calma e profunda. O braço dele a envolvia num abraço, e a outra mão repousando com naturalidade em sua cintura.
Ela o encarou por um momento, ele dormia profundamente, completamente alheio à situação.
Helena permaneceu imóvel por alguns segundos, tentando entender como, em algum momento da noite, aquela distância cuidadosamente mantida havia desaparecido.
O coração começou a bater mais rápido, mas, ainda assim, ela não se afastou de imediato. Havia algo naquela proximidade… algo que a desconcertou e que, ao mesmo tempo, era uma sensação que no momento ela não conseguia descrever.
Respirou fundo, tentando recuperar o controle, e então, com extremo cuidado, levou a mão até a mão dele que segurava sua cintura, tentando afastá-lo sem despertá-lo. O toque foi leve, mas, no instante em que seus dedos tocaram a mão dele, Eduardo despertou.
Os olhos se abriram devagar, ainda tomados pelo sono, mas rapidamente focaram nela. E então ele percebeu o que estava acontecendo.
Eles se encararam. Sem espaço para disfarces, sem distância, sem tempo para fugir daquilo.
Helena prendeu a respiração. Eduardo ficou imóvel por um segundo a mais, o braço ainda ao redor dela, como se o próprio corpo tivesse demorado a responder ao que a mente já havia entendido.
— Eu… desculpa — disse Helena, afastando-se primeiro, a voz baixa e levemente trêmula.
Eduardo soltou o ar devagar, retirando a mão da cintura dela. — Não… eu que… desculpa.
Os dois se afastaram quase ao mesmo tempo, como se aquele espaço fosse necessário para retomar o controle. Helena se sentou na cama, evitando olhar diretamente para ele, o rosto levemente corado, enquanto tentava organizar os próprios pensamentos.
— Acho que… a gente se mexeu dormindo.
— É — respondeu ele, com voz baixa e rouca. — Provavelmente.
Mas nenhum dos dois parecia realmente acreditar naquela explicação.
Helena levantou-se rápido demais, como se precisasse sair dali antes que aquilo ganhasse outro significado.
— Eu vou me arrumar.


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