A mansão Monteiro surgia imponente à medida que o carro se aproximava. Helena sentiu o velho desconforto se instalar, aquele mundo ainda não lhe pertencia.
Ao entrar, foi recebida pelo mordomo e conduzida até a sala de estar.
Olívia levantou-se assim que a viu, abrindo um sorriso caloroso.
— Fico feliz que tenha vindo.
— Obrigada pelo convite — respondeu Helena, com educação.
Sentada ao lado de Olívia estava a senhora Carmen, elegante como sempre, observando Helena com um olhar atento, mas gentil.
— Então você finalmente apareceu — disse Carmen, com um leve sorriso. — Estávamos com saudades.
Helena aproximou-se e a cumprimentou com respeito.
— É um prazer revê-la.
Pouco depois, as três estavam acomodadas à mesa, onde o chá já havia sido servido. A porcelana delicada, os doces cuidadosamente dispostos e o ambiente refinado contrastavam com a simplicidade do almoço em família que Helena acabara de deixar.
— Espero que goste — disse Olívia, servindo-lhe uma xícara. — Fiz questão de escolher tudo pessoalmente.
Helena agradeceu, sentindo-se observada, mas também, de certa forma, acolhida.
Enquanto o chá começava, Carmen observava Helena com atenção, havia algo quase maternal em seu olhar.
— Você está muito magra, minha querida — comentou, com suavidade. — Está se alimentando direito?
Helena foi pega de surpresa, mas sorriu de leve.
— Estou sim, vovó. Só ando um pouco ocupada.
Olívia lançou um olhar discreto para a mãe, como se já esperasse aquele tipo de observação.
— Ela tem trabalhado muito — acrescentou, em defesa de Helena. — Está ajudando a mãe e ainda mantém as aulas de música.
Carmen assentiu lentamente, pensativa. Em seguida, levou a xícara aos lábios antes de falar novamente:
— Mesmo assim… — disse, com calma — não está certo.
Helena ergueu o olhar, surpresa.
— Um marido não deveria passar tanto tempo fora e deixar a esposa sozinha — continuou Carmen, sem elevar a voz, mas com firmeza. — Trabalho é importante, claro… mas casamento também é.
Helena não soube o que responder de imediato. Olívia suspirou de leve, como se compartilhasse do mesmo pensamento.
— Eduardo sempre foi muito focado nos negócios — disse ela, com um tom mais brando. — Às vezes, até demais.
Carmen pousou a mão sobre a de Helena, em um gesto simples, mas cheio de carinho.
— Você não precisa aceitar tudo calada, minha querida.
Aquele toque, tão inesperado, fez algo dentro de Helena vacilar. Ela baixou os olhos por um instante, sentindo um nó se formar na garganta.
— Eu… entendo — respondeu, com voz suave.
Carmen apertou levemente sua mão antes de soltá-la.
— Só queremos que você fique bem.

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