Ela surgiu deslumbrante, vestida de vermelho, com uma beleza construída para atrair todos os olhares. Maquiagem impecável, penteado perfeito, presença marcante. Não era apenas beleza, era impacto. E todos ali sabiam quem ela era. Sabiam, sobretudo, da história que a ligava a Eduardo.
A tensão percorreu o ambiente de forma quase imperceptível, mas suficiente para despertar a expectativa silenciosa de muitos. Alguns aguardavam uma cena. Outros, apenas observavam, curiosos.
Quando Viviane se aproximou, trazia nos lábios um sorriso cordial, mas o olhar que lançou a Helena era frio, carregado de desdém.
O contraste entre as duas era evidente. Viviane se vestia para impressionar, para ser notada, para dominar o ambiente com sua presença intensa. Helena, ao contrário, vestia elegância com naturalidade. Seu vestido azul marinho, sofisticado e discreto, não disputava atenção, conquistava. Havia nela uma beleza serena, mas de um brilho próprio que não passava despercebido.
E isso não foi ignorado.
Entre olhares e cochichos, comparações surgiam inevitáveis. Para alguns, Viviane era deslumbrante, mas excessiva. Helena, por sua vez, parecia reunir algo mais raro: equilíbrio, discrição, uma sofisticação que não precisava se impor. Comentários velados começaram a circular, muitos deles reduzindo Viviane a uma beleza passageira, enquanto atribuíam a Helena uma áurea difícil de esquecer.
— Ela é linda… — comentou um homem ao fundo.
— Mas completamente diferente da Viviane.
— Melhor, na verdade…
— Viviane é para um caso. Essa… — ele inclinou levemente a cabeça na direção de Helena — é para casar, Eduardo só ganhou.
Alheia, ou fingindo estar, aos julgamentos ao redor, Viviane mantinha a postura. Aproximou-se com seu andar calmo, cada passo carregado de intenção.
Desde a última vez em que procurara Eduardo, no escritório, havia escolhido se afastar. Não por desistência, mas por estratégia.
Dois meses haviam se passado desde o casamento, tempo que, em sua convicção, seria suficiente para que qualquer encantamento superficial se desgastasse.
Agora, observando os dois e a sintonia aparente, os gestos íntimos, a aprovação evidente ao redor, ela mantinha o sorriso, mas por dentro avaliava.
Apesar da aparência impecável que sustentava, algo em Eduardo mudou no instante em que Viviane se aproximou e Helena sentiu.
O braço dele, ainda apoiado em sua cintura, tornou-se mais rígido. O toque, antes suave, se tornou firme. A respiração, controlada até então, perdeu por um breve momento o ritmo estável.
Helena percebeu a contração leve do maxilar, o modo como os dedos dele se fecharam com mais força contra o tecido de seu vestido, o olhar antes mais suave, agora duros.
Ele estava abalado.
Quando finalmente ergueu os olhos, Helena encontrou Viviane a poucos passos de distância, ainda com aquele sorriso fácil.
Eduardo não desviou. Mas também não havia indiferença ali. Helena inclinou levemente o rosto, aproximando-se o suficiente para que ele a ouvisse.
— Você está bem?
A resposta demorou um segundo além do necessário.
— Estou.
Mas não estava. Helena percebeu na forma seca, no tom baixo demais, no controle excessivo que ele fazia questão de manter.
Sem dizer mais nada, ela ajustou discretamente a postura e entrelaçou o braço ao dele com mais firmeza, como se reforçasse o papel que desempenhavam ali.
Viviane parou diante deles com elegância provocante, como se aquele encontro tivesse sido apenas uma coincidência agradável. Mas não era.
— Eduardo, Boa noite— disse, com suavidade ignorando completamente Helena.
— Boa noite, Viviane. — A resposta veio seca.

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