O salão da recepção do Grupo Monteiro estava impecável. Luzes douradas, arranjos sofisticados. Era o tipo de evento onde tudo era cuidadosamente preparado, inclusive as aparências.
Eduardo já estava lá, Impecável, como sempre.
Terno escuro sob medida, postura firme, olhar atento a cada detalhe ao redor. Conversava com alguns investidores quando, quase por instinto, seus olhos se voltaram para a entrada.
Os convidados ainda não haviam começado a chegar, Helena entrou no salão com passos firmes, postura elegante e cabeça erguida.
E então ele girou a cabeça em sua direção, por um breve segundo, o mundo ao redor pareceu perder o som.
Helena caminhava elegantemente, o vermelho chamou sua atenção primeiro. Mas não era o vermelho que ele lembrava. Não era provocação,
Helena caminhava com calma, segura e sem pressa, havia uma tranquilidade nela que destoava de tudo o que Eduardo esperava. Não havia qualquer sinal de que ela o aguardava ou sofrera pela sua ausência.
Nada em Helena remetia a Viviane. Nenhum gesto, nenhum olhar, nenhuma tentativa de sedução, talvez o xale que lhe dava um ar distinto. E, ainda assim… era impossível desviar os olhos. Aquilo o incomodou e, ao mesmo tempo, o atraiu.
Quando Helena se aproximou, seus olhares finalmente se encontraram. Ela não sorriu, apenas o encarou firme e silenciosa.
Eduardo sustentou o olhar.
— Boa noite. — cumprimentou ela, com educação e uma firmeza serena.
“Só isso?”
Nenhuma pergunta. Nenhuma cobrança. Nenhum vestígio da mulher que ele deixou dias atrás. Mas o que mais o desconcertou… foi o olhar dela. Calmo e, de alguma forma, distante.
— Ainda bem que chegou. Os convidados começaram a chegar a qualquer momento. — disse ele, frio, impessoal. Seu olhar percorreu Helena por um breve instante antes de endurecer. — Tire isso.
— O quê? — a surpresa escapou em sua voz.
— Esse xale ridículo. Eu não o mandei com o vestido.
A frieza dele a atingiu como um golpe. O coração apertou, mas Helena se obrigou a manter a postura, recusando-se a demonstrar o quanto aquelas palavras a feriam.
— Eu me sinto mais confortável com ele.
Eduardo deu um passo à frente, a impaciência evidente.
— Eu mandei tirar… ou prefere que eu faça?
Os olhos de Helena arderam, não apenas pela dor, mas pela indignação que crescia dentro dela. Sem dizer mais nada, levou as mãos ao xale e o retirou com movimentos bruscos, estendendo-o para ele.
— Assim está melhor?
Eduardo não respondeu de imediato. Seus olhos a percorreram com uma atenção que ele próprio não esperava. O vestido moldava o corpo de Helena com perfeição, o decote revelando mais que deveria, o tecido destacando a cintura fina, o desenho harmonioso dos quadris e as pernas longas e bem torneadas reveladas pela fenda discreta, porém ousada. Havia algo nela que ia além da beleza.
Uma tensão inesperada o atravessou. Helena estava deslumbrante… e, para seu incômodo, inegavelmente atraente. Por um breve instante, um arrependimento incômodo surgiu: talvez não devesse tê-la exposto daquela forma. Não como fazia com Viviane, ele sempre a exibia como um troféu. A ideia de outros homens a observando com interesse despertou algo estranho, possessivo, que ele imediatamente rejeitou.
Seu semblante voltou a se fechar.
— Quando eu mandar algo, apenas faça.
Helena sentiu o olhar dele sobre si, pesado, avaliador, e isso a deixou desconfortável. Mas foram as palavras dele que fizeram seu sangue ferver. Mas antes que pudesse falar algo, os pais de Eduardo haviam chegado.
Olívia abriu um largo sorriso ao ver Helena.
— Minha querida… — disse, aproximando-se sem hesitar e segurando as mãos dela com carinho.

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