Depois que as mulheres saíram, sentiu as lágrimas queimarem nos olhos, ameaçando romper a barreira que ela vinha sustentando com tanto esforço. Mas não permitiria.
Com cuidado, levou os dedos ao canto dos olhos, afastando qualquer vestígio de emoção antes que pudesse escapar. Respirou fundo, uma vez… duas… até recuperar o controle.
Então ergueu o queixo, a expressão voltou serena, quase impenetrável. Não deixaria que aquelas palavras a destruíssem.
Felizmente ela não teria que lidar com a presença de Viviane naquela noite, pelo menos era o que ela pensava. De volta ao salão, o clima era de comemoração.
Helena procurou por Eduardo, ele conversava com um grupo de empresários quando ela chegou perto dele, ficou em dúvida se chegava mais perto. Então ele a viu.
— Querida, por favor. — Disse ele estendendo a mão com um sorriso cheio de charme que fez o coração de Helena derreter.
Ela se aproximou e foi apresentada ao grupo, elogios e troca de gentilezas. Eduardo então pediu licença e se afastou do grupo.
— Onde você estava? — Perguntou em seu ouvido.
A proximidade dele a fez tremer, mas manteve-se firme
— Fui ao banheiro. — Respondeu olhando para ele.
Eduardo percebeu a mudança no semblante dela, mas antes de qualquer coisa um homem acompanhado de uma bela mulher se aproximou.
— Senhor Monteiro. — Disse o homem se aproximando e estendendo a mão.
Eduardo apertou firme a mão do homem e manteve um sorriso cortês.
— Senhor Bittencourt, fico feliz que tenha vindo.
— Não poderia faltar. Afinal somos parceiros em vários negócios e nossas empresas tem crescido consideravelmente após nossa parceria.
— É verdade.
— Deixe-me apresentar, minha filha Laura. Ele chegou recentemente da Europa.
Eduardo reconheceu imediatamente a mulher, era a mesma do bar de outra noite.
— Eduardo, que mundo pequeno. É um prazer revê-lo. — Laura estendeu a mão para ele com um belo sorriso.
— Vocês já se conhecem? — Perguntou Raul Bittencourt surpreso.
— Sim, tivemos o prazer de nos conhecer. — Disse Laura ainda sorrindo e depois virou-se para Helena a observando com curiosidade. — E você deve ser a esposa de Eduardo.
Laura falava como se tivesse intimidade com Eduardo, como se já o conhecesse há algum tempo. E isso incomodou Helena.
— Muito prazer, senhorita Bittencourt. — Helena a comprimentou com a mesma gentileza e sorriso polido.
— Por favor, me chame de Laura. — Disse ela e depois voltou-se para Eduardo. — Realmente sua esposa é encantadora, difícil de competir.
O comentário deixou Helena intrigada, mas ela manteve o sorriso sereno enquanto trocavam algumas amenidades. Depois Eduardo pediu licença e se afastou com Helena, mas ela sentiu o olhar avaliativo de Laura sobre ela.
Ela queria perguntar a Eduardo de onde ele conhecia aquela mulher, mas ele era um empresário rico, famoso e absurdamente bonito e atraente. Provavelmente deveria ser uma mulher com quem tivera um caso.
Esse pensamento a deixou desconfortável, mas tentou manter a aparência de esposa feliz, mas nada a preparou para o momento seguinte.
*****
O fluxo de convidados aumentava, preenchendo o salão com risos, conversas estratégicas e olhares que diziam mais do que palavras. Eduardo mantinha-se firme em seu papel, cumprimentando um após o outro, enquanto Helena permanecia ao seu lado, impecável.
O sorriso de Eduardo se alargou quando viu seus amigos chegarem, após os cumprimentos Eduardo conversou um pouco com Lucas e com a namorada, Camila, que praticamente ignoraram Helena, Camila até chegou a olhar para Helena com certo desdém.
Bruno, ao contrário, cumprimentou Helena com educação e seus olhos sempre tranquilos demoraram um pouco mais sobre Helena.

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