— Viviane. Como vai?
Helena percebeu. E aquilo doeu mais do que gostaria de admitir.
— Muito bem e obrigada pelo convite. — respondeu ela com um belo sorriso.
O silêncio que se seguiu pareceu excluir Helena daquele pequeno espaço entre os dois.
Ela tentava manter a postura, o sorriso leve, mas algo dentro dela se contorcia, como se já soubesse que não pertencia àquela história.
— Helena, como vai querida?
— Muito bem, senhorita Teles.
— Quanta formalidade, entre nós não precisa ser assim, não é mesmo querido. — Ao dizer isso os olhos se voltaram para Eduardo.
Eduardo surpreendentemente abraçou a cintura de Helena com atitude de posse. A cena chamou a atenção das pessoas em volta, curiosas com a presença de Viviane, com certeza ela havia sido convidada e murmúrios se espalharam pelo salão.
Mas o que mais chamou atenção foi que as duas usavam vestidos vermelhos, cor e corte parecido, sendo o de Viviane mais ousado ainda que o de Helena e a comparação foi inevitável. Alguns achavam Viviane de beleza estonteante, outros referiam Helena nas medidas certas.
Percebendo o impacto que as duas estavam causando, Viviane com um sorriso doce, mas cheio de veneno nos olhos comentou:
— Está muito bonita. Se bem que me lembro esse não é exatamente seu estilo.
Helena sentiu a provocação e também o silêncio de Eduardo, ele não iria defendê-la.
— Realmente, mas hoje quis experimentar algo novo. — Helena tentou manter a elegância, mas por dentro ela queimava de raiva.
— O que aquela mulher está fazendo aqui? — murmurou Olívia, sentada à mesa de destaque ao lado de Gilberto, o olhar fixo na cena.
— Não faço ideia — respondeu ele, igualmente tenso.
— Não é possível que o Eduardo a tenha convidado… — a voz dela carregava revolta e indignação.
— Querida, talvez seja apenas um… teste — arriscou Gilberto, embora nem ele parecesse convencido.
— Eduardo perdeu completamente o juízo — concluiu ela, indignada.
Do outro lado do salão, Viviane já se afastava, movendo-se com naturalidade entre os convidados. Cumprimentava, sorria, conversava… como uma anfitriã não declarada. Ela era daquele meio e logo encontrou um grupo de amigos.
Helena sentiu o peso daquilo tudo.
— O que foi isso, Eduardo? — perguntou em voz baixa, mantendo o sorriso delicado que já começava a se desfazer.
— Viviane é minha convidada — respondeu ele, com um olhar indecifrável. — Agora sorria… e me dê o braço. Estão todos olhando. Somos um casal apaixonado, lembra?
Helena hesitou por um instante. Mas cedeu e entrelaçou o braço ao dele, permitindo-se ser conduzida.
Caminharam entre os convidados com elegância, perfeitos aos olhos de quem via de fora. Mas, por dentro, Helena sentia o peito apertado, cada passo mais pesado que o anterior. Era como caminhar dentro de um papel que já não lhe cabia.
Quando chegaram à mesa principal, Eduardo puxou a cadeira para ela com cortesia impecável. Helena se sentou com graça, sob o olhar atento de todos ao redor.
Então, inclinando-se levemente, ele depositou um beijo suave no alto de sua cabeça. A ilusão estava completa.
— O que aquela mulher está fazendo aqui? — Perguntou Olivia, agora diretamente para Eduardo.
— Viviane é minha convidada — respondeu Eduardo com tranquilidade. — A presença dela aqui serve para encerrar de vez qualquer comentário sobre o meu casamento.
Helena virou o rosto para ele, surpresa. Olívia o encarou, incrédula.
— Você está brincando com fogo. — disse ela, mantendo o sorriso social, mas sem esconder o tom de reprovação.
— Eu sei exatamente o que estou fazendo. — retrucou Eduardo, pegando uma taça de vinho e se inclinando ligeiramente na direção de Helena, reforçando a imagem de proximidade.

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