Laura balançou a cabeça, firme, embora o olhar carregasse incerteza.
— Não. Aqui no Brasil, ninguém desconfia de nada. — disse, com amargura. — Ela é cuidadosa demais para isso. Sempre foi.
Helena franziu levemente a testa.
— Como assim?
— Viviane nunca se expõe. — Laura apoiou a xícara sobre a mesa com um leve tilintar. — Ela se envolve com homens mais velhos, ricos... e casados. Homens que têm muito a perder e não querem escândalo.
Helena sentiu um desconforto crescer no peito.
— Eles a mantêm... — continuou Laura, fria. — Pagam por tudo. Viagens, presentes, luxo. E quando ela percebe que o interesse deles está acabando... ela simplesmente arruma outro.
— Isso é... — Helena não terminou a frase.
O silêncio pairou entre as duas por um instante.
— Mas com o Eduardo foi diferente. — Laura acrescentou, mais baixa.
Helena ergueu o olhar imediatamente.
— Diferente como?
Laura hesitou por um segundo.
— Eu acho que, com ele... ela queria mais. — disse, devagar. — Não era só dinheiro ou conforto. Ela pretendia casar, se estabelecer... assumir de vez esse papel de esposa respeitável.
— Uma fachada definitiva — murmurou Helena.
— Exato. — Laura assentiu. — E, de certo modo, fazia sentido. Eduardo tinha nome, reputação, dinheiro... tudo o que ela precisava para consolidar essa imagem.
Helena sentiu um arrepio sutil percorrer a espinha.
— Então... o que deu errado?
Laura sustentou o olhar dela por um momento, como se também buscasse a resposta.
— É isso que ninguém sabe e eu esperava que você me dissesse. — respondeu, por fim. — Algo aconteceu. E foi grave o suficiente para fazer Eduardo desaparecer por um tempo.
Helena deu um suspiro antes de responder.
— Eu não sei. O Eduardo nem a família falam sobre isso.
O silêncio voltou, mais pesado dessa vez.
Helena encarou o próprio café, já morno, enquanto tentava organizar os pensamentos. Quanto mais descobria, mais perguntas surgiam.
Ela ficou em silêncio por alguns instantes, assimilando tudo. Então ergueu o olhar, encarando Laura com mais firmeza.
— Por que você está me contando tudo isso?
Laura sustentou o olhar dela, sem desviar.
— Porque aquela mulher precisa de uma lição.
O tom foi calmo, mas carregado de algo mais profundo, um ressentimento talvez.
— Uma lição? — Helena inclinou levemente a cabeça. — Ou... você quer vingança?
Por um segundo, um sorriso quase imperceptível surgiu nos lábios de Laura, mas não havia humor nele.
— Vingança é algo baixo demais. — respondeu, com frieza controlada. — Eu quero justiça.

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