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Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 60

Se havia algo que Helena compreendia agora, era que Eduardo não era apenas um homem difícil. Ele era alguém que carregava cicatrizes profundas demais para serem ignoradas.

— Ele… — Helena começou, hesitante — ele nunca comentou nada disso comigo.

Olívia soltou um suspiro leve, quase conformado.

— Eduardo nunca fala sobre o que o feriu. Ele simplesmente… enterra.

Houve uma breve pausa. Então, algo no semblante de Olívia mudou, uma sombra de orgulho atravessou a tristeza.

— Mas há uma coisa que você precisa saber — acrescentou.

Helena ergueu o olhar.

— Meu filho sempre foi determinado. Desde pequeno. — disse, com firmeza — E ele não aceitou, em nenhum momento, a ideia de ficar preso a uma cama ou a uma cadeira de rodas.

Helena sentiu a atenção se intensificar.

— Os médicos foram cautelosos, quase pessimistas… mas Eduardo não. — continuou Olívia — Ele enfrentou tudo. Cirurgias, tratamentos longos, dolorosos… fisioterapia exaustiva.

Um leve sorriso surgiu, carregado de orgulho.

— Ele lutou como nunca.

Helena imaginou aquela força, aquela obstinação… e, de repente, tudo fazia sentido. A rigidez, o controle, a frieza não eram apenas traços de personalidade, mas defesas construídas após uma batalha silenciosa.

— E ele conseguiu… — disse Helena, quase em um sussurro.

— Sim. — confirmou Olívia. — Contra todas as expectativas.

O orgulho na voz dela era inegável.

— Eduardo voltou a andar, voltou a trabalhar. — fez uma pausa leve — Mas nunca voltou a ser o mesmo.

Helena respirou fundo, agora ela entendia. Entendia a dor e a resistência de se abrir a qualquer sentimento. Mas ainda havia algo que não se encaixava.

Como uma mulher como Viviane havia conseguido se tornar noiva de um homem pertencente a uma família tão rica e influente… se ela fosse, de fato, tudo aquilo que Laura havia descrito?

Helena ergueu o olhar, cautelosa.

— Senhora Olívia… vocês chegaram a conhecer a família de Viviane?

Olívia assentiu, sem hesitar.

— Sim. Pessoas muito distintas, extremamente educadas. Vieram ao Brasil especialmente para nos conhecer. — fez uma breve pausa — Disseram que tinham diversos empreendimentos pelo mundo. Vivem viajando, não têm uma residência fixa… passam temporadas em diferentes propriedades.

— Entendo… — respondeu Helena, em tom neutro.

Mas, por dentro, algo não fechava.

Se Viviane realmente viesse de uma família tão rica, por que depender de homens? Por que viver à sombra deles?

A contradição era evidente demais para ser ignorada.

Depois que Olívia finalmente se acalmou, Helena levantou-se para se despedir.

— Obrigada por me contar tudo isso.

Olívia segurou a mão dela por um instante, com um olhar carregado de expectativa.

— Você precisava saber… — disse, com suavidade — e espero que tenha paciência. Que consiga entender certas atitudes de Eduardo.

Helena assentiu. O coração ainda estava apertado, mas, agora, havia compreensão onde antes só existia confusão.

Ao deixar a mansão e entrar no carro, o telefone tocou. O nome de Laura apareceu na tela.

— Laura, tudo bem?

— Tudo bem nada. — a resposta veio imediata, carregada de irritação — Aquele cafajeste do meu ex-noivo voltou ao Brasil. E, pelo que ouvi, está louco me procurando.

Helena se ajeitou no banco, atenta.

— Você pretende encontrá-lo?

— Nem que ele estivesse coberto de ouro. Não quero vê-lo nem pintado.

Helena respirou fundo por um instante antes de falar.

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