Depois de saírem do shopping, foram para a boate onde a comemoração aconteceria. O lugar já estava relativamente cheio, e a música alta convidava para a pista. Assim que avistaram o grupo de amigas, aproximaram-se.
O homem as havia seguido até ali e sentou-se no balcão e então pegou o celular e digitou uma mensagem, logo depois outro homem chegou à boate.
Helena abraçou Cláudia e entregou o presente. Em seguida, apresentou Laura, que lhe estendeu a caixa com um sorriso. Cláudia se surpreendeu ao receber um presente tão valioso de uma desconhecida, ainda mais alguém que, pelas roupas de grife e pela elegância, deixava claro pertencer a outra realidade.
Mas Laura logo se enturmou. Eram cerca de dez moças alegres, conversando, rindo e bebendo. Algumas já estavam na pista de dança.
— Esse lugar é muito melhor do que aqueles jantares chatos — disse Laura, animada. — Vem, vamos dançar.
Mal terminou a frase e puxou Helena para a pista. As duas logo chamaram atenção. Alguns rapazes tentaram se aproximar, mas foram dispensados com gentileza; percebendo que elas só queriam dançar, deixaram-nas em paz.
No balcão, porém, um homem com um copo de uísque na mão observava Helena atentamente. Ela dançava com leveza, envolvida pela alegria das amigas e pelo efeito da bebida. Helena não era de beber, mas, naquele dia, depois de tudo o que havia descoberto, encontrou ali uma forma de extravasar seus sentimentos.
Depois de dançarem por um bom tempo, já com o corpo aquecido e o riso fácil, Helena se inclinou para perto de Laura.
— Vou ao banheiro, já volto.
Abriu caminho entre as pessoas e seguiu pelo corredor iluminado por luzes suaves. O contraste com a pista barulhenta trouxe um breve alívio. Depois de usar o banheiro, retocou rapidamente o batom e respirou fundo antes de sair.
Ao dobrar o corredor de volta, quase esbarrou em alguém.
— Senhora Monteiro… que surpresa agradável encontrá-la aqui.
Helena ergueu os olhos e o identificou na mesma hora.
— Senhor Henrique… — disse, surpresa. — Não sabia que frequentava lugares assim.
Ele sorriu, com aquele ar seguro de quem está acostumado a ser notado.
— Eu gosto de vários tipos de ambiente. — fez uma pausa breve, avaliando-a com o olhar. — Mas confesso que a surpresa maior é encontrá-la aqui.
O olhar dele demorou um segundo a mais do que o necessário.
— E o que a esposa de Eduardo Monteiro faz em um lugar como esse… sozinha?
Havia algo na forma como disse “sozinha” que a incomodou, embora o tom permanecesse cordial.
Helena sustentou o olhar, ainda que sentisse o leve efeito do álcool afetar um pouco suas reações.
— Não estou sozinha. Estou comemorando o aniversário de uma amiga.
Ela apontou na direção da mesa, onde as amigas riam, completamente alheias à cena.
Henrique acompanhou o gesto, mas logo voltou a atenção para ela.
— Claro… — murmurou, como se aquilo tivesse pouca importância. — Ainda assim, seria muita ousadia convidá-la para um drink?
O sorriso que ele ofereceu era charmoso, daqueles que costumam funcionar. Bem vestido, postura impecável, bonito. Um homem que sabia exatamente o efeito que causava.
Por um instante, Helena hesitou.

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