Naquele dia, Eduardo havia chegado mais cedo e soube por Olga que Helena ainda não havia retornado. Esperou até o horário do jantar e, como ela não apareceu, jantou sozinho. O silêncio da casa o incomodava, e ele se pegou imaginando quantas vezes Helena o esperava em vão e como devia ter se sentido.
A solidão nunca o afetara tanto quanto naquela noite. Já passava das nove, e Helena ainda não tinha chegado. Ele checava o celular a todo instante: nenhuma ligação, nenhuma mensagem.
Provavelmente ela imaginara que ele não voltaria, mas, justamente naquele dia, algo o fez querer voltar para casa e venceu sua própria determinação de se afastar..
Preocupado, ligou para Xavier e foi então que descobriu que ela estava com algumas amigas em uma boate. Aquilo o incomodou mais do que deveria.
Helena ainda piscava os olhos por causa da luz quando percebeu a expressão de Eduardo. O impacto da presença dele ali a fez parar por um segundo, confusa.
— Você sabe que horas são? — a voz dele saiu fria, controlada, mas carregada de irritação.
Helena demorou um instante para processar. Então, um sorriso lento surgiu em seus lábios.
— Hm… — ela inclinou a cabeça, ainda meio tonta — o marido está com ciúmes?
Eduardo endureceu o olhar.
— Você é uma mulher casada, Helena. — disse, seco. — E, como senhora Monteiro, alguém poderia reconhecê-la nesse estado.
Ela soltou uma risada baixa e deu um passo à frente, aproximando-se mais do que deveria.
— E de que adianta ter um marido… — murmurou, a voz suave e arrastada — se não posso nem tocar nele?
A frase o pegou de surpresa. Por um segundo, Eduardo ficou imóvel, sem resposta.
Helena tentou dar mais um passo, mas tropeçou. Antes que caísse, ele a segurou pela cintura, firme. O contato fez com que ela se aproximasse ainda mais, envolvendo o pescoço dele com os braços.
— Você é tão… lindo — sussurrou, com um sorriso perigoso. — tão irresistível…
Eduardo prendeu a respiração por um instante, sentindo o calor dela tão perto. Os lábios de Helena se aproximaram perigosamente.
Ele desviou o rosto levemente.
— Você está bêbada, Helena. — disse, com esforço. — É melhor dormir. Amanhã conversamos.
Mas ela não se afastou. Ao contrário, colou ainda mais o corpo ao dele.
— Você tem um cheiro tão bom… — murmurou, quase sonolenta.
Eduardo fechou os olhos por um segundo, lutando contra si mesmo. Então, sem dizer mais nada, passou um braço por baixo das pernas dela e a ergueu no colo.
Helena soltou uma risadinha fraca, apoiando-se nele.
— Tão forte… — disse, colando o rosto no pescoço dele.
Ele subiu as escadas em silêncio, concentrado em manter o controle. Ao chegar ao quarto, colocou-a com cuidado na cama.
Helena tentou puxá-lo pela camisa.
— Fica…

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