Claro! Aqui está a continuação do capítulo, narrado em primeira pessoa por Lorenzo:
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Meu pai fechou a porta do escritório com um estrondo seco. A madeira pareceu tremer, ou talvez fosse só o meu estômago que estremecia. Ele virou-se devagar, como se estivesse medindo cada passo para não explodir antes da hora.
— Você pode repetir o que disse? — a voz dele era baixa, mas cortante. Como faca bem afiada.
Engoli seco.
— A Aurora e eu… ontem… a gente não se preveniu.
A respiração dele ficou mais pesada. Os olhos se fecharam por um segundo. Quando abriu de novo, vinha tempestade.
— Lorenzo! — ele rugiu. — Pelo amor de Deus! Você tá com quantos anos? Quinze?
— Pai, eu sei que foi um erro — comecei, mas ele já estava andando de um lado pro outro como um leão enjaulado.
— Você tirou a virgindade da filha do Matheu e ainda teve a genial ideia de esquecer o básico? — ele parou, apontando pra mim com o dedo em riste. — O básico, Lorenzo!
— Eu amo ela, pai. E eu não me arrependo de ter estado com ela. Só… só queria que tivesse acontecido diferente. Mas agora que aconteceu, eu tô aqui. De frente. Não vou fugir disso.
Ele bufou, passou a mão pelos cabelos, depois pegou o celular. Reconheci o nome na tela antes mesmo dele falar.
— Vittorio, não! — pedi, mas era tarde.
Ele levou o telefone ao ouvido.
— Matheu? Vittorio. Sim, estou com ele aqui. Precisamos conversar. Agora. — Fez uma pausa, escutou algo do outro lado e então soltou: — Sim, foi isso mesmo que você tá pensando.
Fechou a ligação sem mais uma palavra. O silêncio que ficou entre nós dois era sufocante. Ele me encarava como se eu fosse ao mesmo tempo, um filho idiota… e um homem tentando fazer o certo.
— Você entende o que fez? — ele disse, a voz mais baixa agora, mas cheia de gravidade. — Isso não é só sobre uma noite. É sobre ela. Sobre o pai dela. Sobre o que ele vai sentir. Sobre o que você tirou dela.
Fechei os olhos por um segundo.
— Eu não tirei, pai. Ela me deu. Com consciência. Com vontade. A gente sabia que era especial. Não foi um impulso.
Ele me encarou com mais intensidade. Havia algo no olhar dele… algo que parecia mais do que raiva. Era medo. Medo de me ver repetir erros que talvez ele tenha visto em outros. Medo de eu não estar pronto.
— E se ela estiver grávida, Lorenzo? Você pensou nisso?
— Sim — respondi. — Pensei o caminho inteiro. E se estiver, a gente vai criar juntos. Eu não vou abandonar a Aurora. Nem ela, nem o que quer que venha com ela. Eu quero casar com ela. Não porque tenho que… mas porque quero.
Meu pai se sentou na poltrona, respirando fundo, como se estivesse tentando se convencer de que eu era o mesmo filho de sempre, só mais… crescido.
— Você sabe o que tá dizendo?
— Sei. Pela primeira vez, sei. A Aurora é minha casa, pai. Sempre foi. Eu só demorei demais pra perceber.
Antes que ele pudesse responder, ouvimos a campainha tocar. Ele se levantou como um raio.
— Deve ser o Matheu — disse.
Fui atrás dele até a porta. Tio Matheu entrou, olhar escuro, mandíbula travada.
— Lorenzo — ele disse, direto.
— Tio — comecei, mas ele ergueu a mão, pedindo silêncio.
— A Aurora me contou. Tudo. E a Helô me ligou também. Eu já sabia antes do Vittorio confirmar.
Ele se virou para o meu pai.
— Vittorio, deixa eu conversar com ele.
Meu pai assentiu e foi até a sala. Matheu me encarou com os braços cruzados, como uma muralha.
— Você tem ideia do que significa colocar a minha filha nesse lugar?
— Tenho. E quero fazer o certo.
— Certo teria sido respeitar o tempo dela. Respeitar o momento certo. Mas já que esse barco zarpou, agora você vai precisar saber nadar em mar aberto. Porque se a Aurora se machucar de novo, Lorenzo… não vai ter conversa.
— Eu não vou machucar ela. Não dessa vez. Não nunca mais.
— Vai casar com ela? Vai mesmo?
— Vou. Com tudo o que isso significa.
Ele assentiu devagar, como quem ainda está digerindo a ideia.
— Então vá conversar com ela. E com sua mãe. Vocês dois têm muito o que planejar agora.
Ele começou a sair, mas antes de cruzar a porta, virou-se mais uma vez.

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