Aurora Rossi
O sol ainda nem tinha nascido direito quando acordei. O quarto estava silencioso, exceto pela respiração tranquila de Lorenzo ao meu lado. A claridade tímida da madrugada entrava pelas frestas da cortina, e eu fiquei ali, observando o contorno do rosto dele, cada detalhe que agora parecia ainda mais meu.
Fechei os olhos por um instante, tentando gravar aquele momento dentro de mim. A paz antes da tempestade de preparativos. A calma antes da vida adulta começar de verdade.
Levantei devagar, coloquei uma blusa dele por cima da minha camisola e saí para a cozinha. Estavam todos ali: minha mãe e tia Heloísa sentadas à mesa com xícaras de café e olhares misturados entre cansaço e determinação.
— Dormiu bem? — perguntou minha mãe, me olhando com ternura e preocupação ao mesmo tempo.
Assenti, puxando uma cadeira ao lado da Isabella.
— Dentro do possível, sim. Ainda parece que tô sonhando. Mas ao acordar e encontrar o Lorenzo ao meu lado vi que era realidade.
Heloísa sorriu, aquele sorriso de mãe que já viu muito da vida.
— Bem-vinda ao mundo real, querida. Agora começa a parte em que o amor se transforma em decisão.
— E planilhas — completou minha mãe, arrancando uma risada discreta de todas nós. — E provas de vestido, lista de convidados, orçamento…
— Por onde começamos? — perguntei, sem saber se ria ou chorava.
— Pelo que importa — respondeu minha mãe, colocando a mão sobre a minha. — Pela verdade. Pela clareza. E depois pelo amor. O resto a gente dá conta.
Suspirei fundo, olhando para aquelas duas mulheres que, apesar de tudo, estavam ali por nós. Que de certa forma lutaram suas batalhas e venceram no final.
— Eu quero algo simples, íntimo. Mas bonito. Com cara de verdade.
— Vai ter que ser rápido — disse tia Heloísa, já pegando um caderno. — Vocês terão que voltar para a faculdade em breve.
Minha mãe pegou o celular e já começou a anotar coisas. E foi ali, entre xícaras de café e ideias soltas, que começamos a planejar o casamento.
Era surreal.
Tão adulto, tão concreto… mas cheio de sentimento em cada detalhe. O dia se passou marcando horários em salões de festas e de beleza para ver quais tinham a data que queríamos disponível.
À noite, já deitada de novo ao lado do Lorenzo — que dormia com a expressão serena, como se enfim tivesse encontrado chão —, peguei meu celular e disquei o número dela.
Laura.
— Alô? — atendeu com aquela voz sonolenta e ainda assim alerta de quem sempre esteve por mim.
— Laurinha… — minha voz saiu embargada, e só de ouvir o nome dela já senti vontade de chorar. — Preciso de você.
Ela demorou um segundo para entender a gravidade daquilo. Mas quando entendeu, não hesitou.
— Onde você tá?
— Na casa dos meus pais com o Lorenzo. Mas a gente vai se casar, Laura. É sério. Aconteceu tudo… e agora a gente vai mesmo se casar.
— Oh, meu Deus… — ela sussurrou, e senti o coração dela do outro lado da linha. — Eu vou. Eu e o Pietro vamos. Amanhã mesmo. Não se preocupa. Eu tô com você, Rô. Até o fim. É tão lindo que deu certo.
Sorri com lágrimas escorrendo.
— Obrigada. Eu precisava ouvir isso.
— Você vai ouvir muito mais. Me espera com uma taça de vinho e uma lista de tarefas, porque a gente vai fazer esse casamento ser inesquecível.
— Com amor… e caos?
— Como tudo na nossa vida.
Rimos. Choramos. Ficamos em silêncio por um tempo, como só amigas de verdade conseguem fazer sem estranhamento.
Quando desliguei, me virei e olhei para Lorenzo. Ele ainda dormia, mas mesmo assim, estendeu o braço e me puxou para perto, como se soubesse que eu precisava.

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