Não contente, Ivy correu e entrou no quarto, tudo o que é pesado e quebra, ela arremessou contra o marido, ela estava fora de si, havia alcançado o seu limite.
Dante estava fazendo ela de trouxa descaradamente.
O quarto já estava quase todo quebrado até que o último objeto, um porta retrato com a foto do casamento o atingiu.
Acertou a testa, acima da sobrancelha, e quando caiu no chão quebrando em vários pedaços, Ivy viu uma linha de sangue descendo pelo rosto de Dante.
Ela estava exausta, seu rosto estava vermelho, seus cabelos eram uma grande bagunça de cachos desordenados, seu peito subia e descia com a respiração ofegante.
Mas ela não voltou atrás, se manteve firme.
- Sai daqui Dante, antes que eu faça algo pior do que acertar o seu rosto.
- Ivy, me desculpe. Isso não vai acontecer mais.
- Vai sim, eu sei, você tem uma amante.
- Não tenho, foi um deslize, um erro, não vai mais acontecer.
- Um deslize? Todos os dias você chega tarde e saí antes de eu acordar, eu não posso ir até a empresa, você não gosta de falar comigo no telefone. Você ainda nega que tem amante?
- É só trabalho, e as marcas e o batom, foi uma única noite. - Dante falava de forma ponderada, em tom ameno, sua cabeça latejava e o sangue ainda escorria.
- Não vou me desculpar, por nada.
Dante se aproximou de Ivy e a abraçou forte, deixando ela marcada com o seu sangue nas vestes.
- Me desculpe, por tudo, não vai mais acontecer, eu vou mudar. Eu juro.
- Só acreditarei vendo.
- Ivy, eu não tenho amante, foi só uma mulher qualquer que eu nem lembro o nome.
Ivy quebrou o abraço e se distanciou. Pegou no closet um pijama e seus pertences de higiene pessoais. Rapidamente correu para o quarto no fim do corredor, trancou a porta novamente e foi para o banheiro.
Ela parou de frente para o espelho e olhou as marcas de sangue. Suas mãos tremiam e sua pele que outrora estava vermelha, agora estava pálida como se todo o seu sangue tivesse deixado seu corpo.
Retirou a roupa e ligou o chuveiro, a água estava muito quente, Ivy sentia frio após a descarga de adrenalina em seu corpo.
Deixou que a água carregasse pelo ralo o sangue e a amargura dos últimos acontecimentos, seu casamento estava ruindo em tão pouco tempo.
Ela sentia o seu peito doer, não uma dor física mas emocional, seu amor foi descartado como um papel de bala. Isso lhe doía muito.
Ivy chorava aos montes, suas lágrimas salgadas se misturavam com a água do chuveiro e seus soluços eram abafados pelo barulho da água que caia.
No outro quarto Dante olhava ao seu redor. Sentado na cama ele via o rastro de destruição que Ivy havia deixado.
Lembrou do rosto dela como estava transformado pela fúria. As pupilas dilatadas como se estivesse drogada, a voz que sempre foi melosa e pedante estava grave e alta, ela gritava em plenos pulmões a sua traição.
Era uma Ivy desconhecida, Dante jamais em todos os anos ao lado dela imaginou vê - la daquela forma.
Ele precisava dar um jeito ou tudo iria pelo ralo. Mas sua cabeça doía muito e não tinha condições de ficar ali sangrando.
Chamou Carlos o motorista que o levou para o hospital.
Passou pela sutura, levou 4 pontos, fez radiografia e tomografia, não houve concussão e nem fratura, então o médico receitou analgésicos e antiinflamatórios e pediu para descansar e fazer compressa com bolsa de gelo.

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