Com ajuda de Domenico, Liz colocou Ivy deitada na cama, e a cobriu com um lençol branco e limpo que estava dobrado no armário.
Preferiu deixá-la descansar após tanto nervoso com tantas descobertas.
As energias de Ivy haviam se esgotado como uma bateria sem carga. Seu corpo pesava e seus músculos doíam de tanto se contraírem de nervoso, sua boca estava seca e seus olhos ardiam de tanto chorar.
Ela ficou ali, pelo resto do dia e no início da noite preferiu ir embora, mas não iria para casa e nem procuraria seu pai.
Passou no shopping comprou um conjunto de moletom, um kit de higiene pessoal e uma lingerie básica para passar a noite fora de casa. Parou em uma lanchonete, comeu um pequeno lanche apenas para não ficar com o estômago vazio, já que fome era algo que ela não tinha ultimamente.
Andando pela rua, via as pessoas passarem, algumas sérias, outras tristes e também os casais felizes. A cada rosto que passava a fazia lembrar de tudo o que aconteceu em seu casamento até agora.
Procurou um hotel básico e barato para dormir, só queria ficar quieta e sozinha com seus pensamentos, não precisava de nada além de uma cama e um chuveiro.
Desligou o celular para não ficar sem bateria e também para ninguém ligar tentando localizá-la.
Entrou no banho, a água quente que caia a acalmava e relaxava seus músculos doloridos, ficou ali sentindo a água até o sono a alcançar. Escovou os dentes e o cabelo que estava bagunçado do dia inteiro, fez uma trança longa para dormir.
Colocou as roupas compradas e deitou na cama pronta para dormir. Enfim conseguiu uma noite tranquila e silenciosa de sono.
Quando amanheceu Ivy acordou mas não saiu da cama, ficou ali mais um pouco até ter certeza que não mais encontraria Dante em casa quando voltasse.
Se levantou com muita preguiça, pegou suas coisas, ligou o celular e saiu do quarto.
Várias notificações chegaram juntas em seu celular, ligações perdidas de Dante e algumas mensagens de Flora. Mas ela não respondeu nenhum dos dois.
Pegou um carro por aplicativo na porta do hotel e foi para casa. A motorista era uma mulher, com idade na casa dos cinquenta anos, que ao ver Ivy entrar abriu um sorriso simpático e a comprimentou.
- Bom dia Ivy Salvatore?
- Sim eu mesma, bom dia.
Olhou as mãos de Ivy que estava apenas com uma sacola e imaginou que aquela hora da manhã saindo de um hotel barato deveria ter passado a noite fora de casa
- Encontro romântico?- perguntou a motorista com um leve sorriso curioso nos lábios.
- O que? - Ivy perguntou confusa.
- Você, encontro romântico no hotel?
-Ah… não, só uma noite fora de casa, queria tempo e silêncio para pensar na vida.
- Tem filhos? Isso é típico de mulher com filhos.
- Não, ainda não tenho, meu problema é meu marido mesmo, traição.
- Que pena! Você é uma garota tão bonita, seu marido tem coragem de te trair.
- Ao que me parece, ela veio primeiro, meu casamento veio depois.
-Entendi, por isso quis dormir fora de casa, sem ele por perto.
- Sim, isso mesmo.
O carro ficou silencioso até o fim da corrida, logo Ivy desembarcou na porta de sua casa, e os empregados estavam na área externa conversando baixo, para que ninguém ouvisse o que estavam falando.
- Você passou a noite fora de casa, com o celular desligado e agora está se desfazendo de suas coisas, o que está aprontando Ivy?
Ela olhou séria para Dante, desafiando ele silenciosamente, por alguns minutos ficou parada como uma estátua apenas refletindo.
Sem responder, quebrou o contato visual e voltou a guardar as coisas. Deixando Dante sem respostas.
- Não vai me responder?
- Não - um sorriso provocativo no canto de sua boca se instalou, deixando ele ainda mais nervoso.
- Não brinque comigo Ivy, você não vai gostar.
- E você vai fazer o que? Vai me matar? Vai se livrar de mim para viver com a sua amante?
Dante não gostou das palavras de Ivy, o tom usado por ela era acusatório e provocativo, causando nele uma sensação estranha e ruim.
Ele amava Ellie, mas não odiava Ivy, apenas não desejava ter se casado com ela. Mas agora que estavam juntos, não queria se separar.
Sem querer continuar a discussão, ele pegou uma roupa, entrou no banheiro, tomou banho e se arrumou e saiu novamente.
Ivy não se importava mais, agora sabia que realmente existia outra em sua vida, ela só precisava saber quem era a outra mulher.
Não para reivindicar o que era seu, porque Dante nunca lhe pertenceu, mas sim para enfrentá-la porque contou por carta e não a enfrentou pessoalmente.
Para Ivy agora era apenas uma questão de honra, não mais de amor, já que seus sentimentos haviam sido jogados na vala por Dante.

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