Dias se passaram, Dante continuou em sua luta pessoal para tentar retomar o controle de sua vida.
Seus irmãos realmente o deixaram, seus pais também não se comunicavam, tentava constantemente falar com Ivy, mas seu celular agora só dava caixa postal. Já fazia mais de uma semana do dia em que ela atendeu pela última vez a sua ligação.
Às vezes falava com Ellie, em ligações e por mensagens. Apesar de saber que toda a confusão de sua vida tenha sido causada por ela, não conseguia sentir raiva, ele amava Ellie, ela era a pessoa que possuía o seu coração.
Como ele pediu, Ellie também estava longe, fora do país. Para Dante, Ellie disse que estava em Portugal, que se sentia confortável em estar em um país que a língua era próxima e de maior entendimento. Dante aceitou como verdade, sem questionamentos.
Ela sempre dizia que o amava e que só voltaria agora para ficarem juntos para sempre. Ele dizia que sim, mas sua mente negava o divórcio de Ivy.
Na empresa aos poucos ele estava alinhando as coisas, Aurora estava agora como sua secretária e assistente, como sempre foi muito eficiente e de confiança, era a ajuda que Dante precisava neste momento.
Ele havia mudado algumas pessoas dos cargos que seu pai havia colocado anteriormente, alguns realocados e alguns dispensados, novos funcionários haviam sido contratados, deixando assim a LaBelle mais com cara de Dante e menos cara de Arthur.
As coisas pareciam estar se encaminhando na empresa, o que ajudava muito para que Dante se empenhasse no trabalho e esquecesse um pouco de sua vida e problemas.
No fim de um dia cheio de reuniões e muitos problemas resolvidos, Dante recebeu uma ligação de Arthur.
- Oi pai, boa tarde.
- Dante, preciso que você venha para casa agora.
A voz de Arthur era urgente, sem cerimônia, sem carinho.
- Sim, aconteceu alguma coisa? Mamãe está bem?
- Apenas venha, sem perguntas.
- Estou indo.
Sem demora, Dante se levantou de sua mesa, colocou seu terno e pegou as chaves de seu carro.
Aurora estou saindo agora, o que ainda ficou a ser feito deixamos para amanhã.
Sim senhor, pode deixar comigo, organizo as coisas.
Saiu sem mais delongas, dirigiu rapidamente com a cabeça turbulenta, imaginando diversas cenas possíveis para que seu pai tenha ligado após tanto tempo em silêncio.
Na casa de seus pais, ao estacionar seu carro, percebeu que havia dois carros diferentes parados, além dos carros de seus irmãos.
Sentiu um frio em sua espinha, como se tivesse sido atingido por uma rajada de vento frio, sentiu seus pelos arrepiarem. Um presságio de algo ruim bateu em seu peito.
Respirou profundamente tentando recompor a sua postura e entrou em casa.
Logo quando entrou, viu toda a família reunida e três pessoas diferentes, todos estavam sérios e sua mãe chorava copiosamente.
Daiane e Liz tentavam acalmar Flora sem sucesso, sua mãe estava fora de si.
- O que houve aqui, por que estão todos juntos? - Dante olhou para as pessoas estranhas - Quem são vocês?
Um dos três, o mais velho, de barba branca e barriga proeminente respondeu primeiro, esticando a mão para Dante.
- Meu nome é Raul Serrate, muito prazer, eu sou o advogado da senhorita Ivy Martinez.
Dante não gostou de saber que o advogado de Ivy tinha aparecido, muito menos por estar a sua procura na casa de seus pais, mas o que te tirou do sério foi o fato de o advogado ter citado o nome de solteira de Ivy.
- Ivy Salvatore, não nos separamos.
Brandon então começou a falar, de forma suave e calma, explicou o desenrolar dos acontecimentos.
- Em caso de falecimento no exterior, o
Consulado brasileiro no país onde ocorreu o óbito, no caso a França, é o principal responsável por avisar a família e prestar assistência. A polícia local localizou o hotel que ela estava, no quarto junto aos documentos, foi encontrado o telefone do advogado dela. A polícia avisou o consulado brasileiro na França e eles nos avisaram.
- Com o meu cartão eles me ligaram e eu autorizei que recolhessem as coisas e fizessem a liberação dos restos mortais.
- Restos mortais como assim?
- O corpo de Ivy já estava todo carbonizado, não sobrando quase nada. Então após a autorização do senhor Raul o consulado prestou auxílio com os trâmites burocráticos e legais para a liberação do corpo, como a obtenção de documentos e a intermediação com autoridades locais e agência funerária para a cremação.
- E porque aqui também tem um policial?
- Bem, policiais estão presentes em casos de morte suspeita ou violenta.
Dante olhou em volta, o rosto de todos, sua mãe chorando, seu pai o olhava com desgosto. Não sabia como reagir, ainda não acreditava no que havia acontecido, não acreditava que Ivy estava morta.
- É uma pena o que aconteceu, ela pediu para eu iniciar o divórcio, eu o fiz, e como o advogado que tenho a procuração dela, agora que está pronto só precisa da sua assinatura. Os papéis estão aqui comigo. Como último pedido dela, eu te peço para que assine.
- Você tem certeza que é ela?
- Ela era a única no carro.
Ainda sem acreditar no que seus ouvidos estavam ouvindo, Dante pegou os papéis e assinou.
- Pronto, está feito, agora peço que saiam.

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