Raul deixou uma cópia do divorcio com Dante, junto com a certidão de óbito e os pertences que estavam no hotel.
Dante se jogou no sofá sentindo o peso das notícias recebidas. Sua ficha ainda não tinha caído, ainda não tinha aceito a morte de Ivy.
Seu corpo estava anestesiado, pesado, seu ouvido apitava alto e o ar lhe faltava nos pulmões. Sua vista começou a escurecer e ele perdeu o controle do corpo.
Bum!
Dante desmaiou no meio da sala dos pais, seu corpo estava caído de cara no chão. Imóvel, sem reflexos.
Domenico e Arthur correram para socorrê-lo, viraram o seu corpo de barriga para cima, para deixar livre as vias respiratórias, mas mesmo assim estava fraca a respiração.
Seus batimentos cardíacos estavam fracos e sua pele estava gelada.
Chamaram os empregados para ajudar a levar Dante para o quarto, o deitaram na cama, retiraram sua roupa, colocaram apenas uma camiseta solta e o cobriram com uma manta para aquecer o corpo.
Flora que chorava pela nora morta, agora estava ao lado do filho, acarinhando seus cabelos negros, tentando fazer ele acordar.
Dante não dava sinais de que voltaria tão cedo.
Seus irmãos, cunhados e os pais ficaram de vigília durante o resto do dia e também durante a noite, Dante não acordou, não se mexeu, parecia morto ainda em vida.
No dia seguinte, Flora decidiu chamar o médico da família para avaliar a situação de Dante, estava preocupada por seu filho não mostrar nenhum sinal de que iria acordar.
O médico o avaliou, verificou os reflexos nos olhos, mediu a temperatura, aferiu a pressão, auscultou os pulmões e mediu a oxidação no sangue.
Tudo estava normal, como se Dante tivesse apenas em um sono profundo.
- Está tudo normal com ele, não há nada que eu possa fazer.
- Normal? Ele está assim desde ontem a tarde, como ele pode estar normal doutor?
- O que aconteceu quando ele desmaiou?
O médico queria saber a causa do desmaio.
- Nós soubemos que nossa nora está falecida, ela viajou há uns dias para a França e ontem nos foi entregue as cinzas dela junto com os pertences.
- E o desmaio foi neste momento?
- Depois que o advogado saiu, ele se jogou no sofá e caiu no chão, já sem reação.
O médico pensou, avaliou sobre o que foi contado, e chegou a conclusão que o caso era psicológico.
- O seu filho está em um estado de hibernação. O corpo está estável, sem nenhum problema, com respirações de baixa frequência e com batimentos mais lentos para economizar energia do corpo.
- Como ele está hibernando? Como podemos acorda-lo?
- Só ele poderá fazer isso. Ele hibernou como um estado de proteção psicológica devido a notícia que recebeu.
Flora ficou chocada com o que ouvia, seu filho estava se protegendo de si mesmo dormindo.
- Ele era muito unido à esposa?
- Não - Arthur respondeu rapidamente - eles estavam se separando devido a traição do meu filho.
- Como assim apagou?
Domenico tomou a frente para responder.
- Como um curto circuito que desarma o disjuntor para não acontecer algo pior, o cérebro dele desligou deixando ele desacordado por tempo indeterminado.
- Desde quando ele está apagado?
- Desde que o advogado entregou para ele a certidão de óbito e o divórcio. O médico disse que é como uma proteção psicológica.
Arthur se aproximou mais de Pedro, o abraçando. Tentava confortá-lo pela morte da filha.
- Pedro, você é meu amigo, eu me preocupo com você, não acho bom ficar sozinho aqui.
Eu vou ficar bem, já vivi a uma morte, sobrevivo a outra. Você vai precisar que eu faça algo?
- Não, as meninas estão organizando tudo.
- Está bem, eu ficarei no aguardo.
- Vamos colocá-la no jazigo da família. Vamos rezar uma missa. Mesmo ela pedindo o divórcio, ela é uma Salvatore.
- Obrigado Arthur.
Arthur e Pedro se abraçaram, dois amigos de longa data, dois pais sofrendo por seus filhos. Um conforto mútuo, de duas pessoas com o coração dilacerado.

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