Tempos depois, ainda em frente ao espelho, Dante via suas lágrimas escorrerem por suas bochechas. A imagem que via no espelho parecia de outra pessoa, não conseguia reconhecer a própria imagem refletida.
Um buraco se estabeleceu em seu peito, a lembrança de Pedro o amaldiçoando girava em sua mente.
As memórias iam e vinham, seu pai, sua mãe, a indiferença de seu irmão, Ivy dizendo que ele deveria viver com o peso de suas escolhas, tudo começou a girar em sua cabeça a ponto de ficar tonto e desmaiar.
Ele ficou ali no chão, desmaiado até o dia seguinte, quando Maura chegou.
Ela vendo a casa bagunçada com os móveis todos quebrados ficou assustada e apreensiva, correu rapidamente para o andar de cima entrando no quarto de Dante o encontrando jogado no chão.
Maura o acordou devagar, balançando-o de leve e aguardando ele responder. Aos poucos ele foi abrindo os olhos e recobrando a consciência.
Ela o ajudou a levantar e se vestir, fez o seu café da manhã e arrumou a casa, com as ordens de Dante e outros funcionários, jogou fora os móveis quebrados deixando a casa limpa e vazia.
Vazio, era assim que Dante se sentia por dentro. Como uma árvore velha, seca e abandonada.
Por dias ele se manteve em casa, fechado, sem ver e nem ouvir ninguém. Apenas com os empregados e o peso de sua consciência.
Resolveu que a bebida seria sua amiga e lhe ajudaria a passar pelo luto ainda não vivido. No decorrer dos dias bebeu todas as garrafas que tinha em casa.
As lágrimas continuaram a escorrer em seu rosto, e o gosto amargo que sentia em sua boca não poderia ser encoberto pela bebida.
Com muito álcool em seu corpo, começou a ter alucinações, via e ouvia Ivy em todas as partes da casa, ora rindo e cantando, ora triste, brigando com ele.
Aquilo estava acabando com ele, deixando-o cada vez mais fora de controle, Maura não conseguia mais fazê-lo comer, apenas bebidas era o que ele aceitava.
Arthur e Flora depois de dias, visitaram o filho e não acreditaram no que estavam vendo, brigaram com ele, jogaram as bebidas fora, tentaram tirar ele de casa, mas isso não foi o suficiente para parar Dante.
A falta da bebida o deixou ainda mais nervoso e no fim da noite, quando todos se foram, Dante tentou fazer com que sua consciência se calasse.
Ainda tinha alguns remédios que o médico havia prescrito para poder dormir, pegou alguns e tomou enquanto a banheira se enchia.
Pegou um canivete suíço que tinha guardado e deitou na banheira. Abriu o canivete e delicadamente cortou os dois pulsos.
Ficou ali parado, vendo o sangue escorrer de suas veias, manchando a água quente da banheira.
Os remédios mais a falta de sangue o fizeram perder a consciência. Até a hora em que Maura chegou.
Ela chamou na porta do quarto, observando o ambiente, viu que tudo estava normal, sem sinais que ele tinha dormido na cama, foi entrando até chegar no banheiro, quando viu pelo chão o sangue que escorria dos pulsos de Dante.
Movida pelo desespero, Maura correu, gritou por ajuda na beira da escada e voltou ao banheiro, amarrando nos pulsos de Dante toalhas para estancar o sangramento.
Mesmo na casa de seus pais, Dante não se sentia em paz, o remorso e a culpa o exprimiam de dentro para fora.
Ele não comia e nem bebia, as pessoas se moviam e falavam ao seu redor, ele ouvia e não respondia, era tudo como borrões as suas vistas. Como Pedro disse, Dante estava morrendo em vida.
Por dias, mantiveram ele ali, Flora estava cada vez mais preocupada com o filho que estava apático, fraco e não mais respondia a estímulos.
Maura estava certa, ele não pararia enquanto não conseguisse o seu fim.
Dante retirou os pontos dos pulsos, reabrindo os cortes, mas Flora o viu antes que piorasse o seu estado clínico. Foi costurado novamente e enfaixado.
Sem sucesso, ele se sentia cada vez pior, impaciente e descontente pensava sempre em uma forma de escapar de sua dor.
E em uma noite, no silêncio e na escuridão, Dante amarrou um lençol em seu pescoço e no parapeito, correu e sem olhar para trás se jogou da sacada de seu quarto.
Com o impacto e o peso, o lençol não aguentou e se partiu, deixando apenas a marca no pescoço e uma falta de ar.
Com o barulho de Dante caindo no chão, os seguranças e seus pais correram encontrando o rapaz caído no chão ainda com o lençol enrolado no pescoço.
Flora ao ver o estado do filho, gritou em desespero, o medo de perder Dante era enorme e a urgência de fazer algo para freá-lo a apertava.

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