Estava finalizando o penteado, quando ouviu a notificação de seu celular. Ao mesmo tempo que a sua ansiedade queria ler rapidamente a resposta, também estava temerosa que fosse uma negativa.
Respirou fundo se olhando no espelho, tomando coragem para ver a resposta.
“ Vamos lá, não pode ser tão ruim assim né? “
Pegou o aparelho e desbloqueou a tela, quando leu a pergunta de onde se encontrariam, teve um pequeno surto de felicidade.
- Ele aceitou !!
E com um pulo se jogou de barriga na cama, fazendo os travesseiros caírem no chão com o movimento.
- Nem acredito que o todo gostoso aceitou.
Respondeu a mensagem marcando em um café tranquilo onde poderiam conversar sem interrupções.
Alguns minutos depois ele respondeu:
- Ok, te encontro lá as 17:00.
Ela estava muito feliz, queria fazer muitas perguntas a ele. Queria se aproximar mais e quem sabe até prolongar a noite.
Dante por sua vez, também estava ansioso, depois de tantos anos estaria a sós com ela novamente.
A tarde passou rapidamente e a hora marcada se aproximava.
Dante estava básico, um jeans escuro, com uma camiseta preta gola v e um boné.
Já Hope, demorou para se decidir, colocou um vestido vermelho curto que marcava sua silhueta, mas achou que assustaria, depois colocou um corset preto de couro com uma calça jeans justa, mas achou que ficou muito dark, por fim decidiu por um vestido midi frouxinho, com pequenas rosas estampadas.
Quando chegou ao café, ele já estava lá, e de longe ele a viu.
Ela sorriu com vergonha, inclinando a cabeça de lado. Já sentia suas bochechas queimarem, mesmo antes de se aproximar.
Respirou fundo e caminhou calmamente em direção a mesa. Dante se levantou, a comprimentou com um beijo no rosto e puxou a cadeira para ela se sentar.
- Que bom te ver depois de ontem, eu fiquei preocupada.
- Não deveria se preocupar comigo, afinal a vítima foi você.
- Aquele cara sempre foi um idiota, apesar de ele ser um dos negociantes do Gio, ele sempre foi abusado.
- Por que você se tornou dançarina?
- Eu via o Gio indo para a Lux quase todas as noites, eu sempre gostei da vibe, queria fazer parte daquilo também.
- Mas é muito perigoso o que você faz.
- Não é perigoso, eles sabem muito bem que eu não sou puta, só fico com quem eu quero.
- E eles devem implorar para ficar com você, não é?
Hope sentiu que a pergunta de Dante tinha uma certa ambiguidade. Se sentiu incomodada pela forma como ele falou. Mas não deixou que ficasse impune.
- As mulheres também devem implorar para ficar com você. - ela foi direta e seu tom era seco.
- Só se for em pensamentos.
- Como assim? Vai me dizer que você não recebe cantadas?
- Não, também não dou oportunidade.
Hope observava as feições de Dante enquanto ele falava, percebeu que o brilho em seus olhos se apagavam ao falar da esposa.
Então ela observou em seus pulsos cicatrizes, por impulso, Hope passou os dedos nos pulsos de Dante, sentindo as cicatrizes que estavam ali. Sua pele se arrepiou como se uma onda eletrizante a tivesse atingido, curiosa pela história de vida de Dante, logo perguntou:
- Você tem cicatrizes? Eu também tenho uma cicatriz, na cabeça, quer ver? - Ela vira de costas abrindo o cabelo na nuca mostrando a marca ali. - Foi do meu acidente, tiveram que me operar, eu tive um traumatismo craniano, colocaram uma placa de titânio depois que meu cérebro desinchou. E você? Qual a história de suas cicatrizes?
Dante olhou a cicatriz dela e se sentiu ainda mais culpado pelo acidente.
- Quando eu soube da morte da minha esposa, eu tive depressão. Me senti culpado pela morte prematura dela, ela era tão jovem, não merecia a morte. Então eu decidi que se ela estava morta eu também merecia morrer. Enchi a banheira, bebi uma garrafa de whisky e alguns remedios e cortei com um canivete os dois pulsos.
- Quem te salvou?
- Minha governanta, ela chamou o socorro. Ela é uma pessoa maravilhosa, amava a minha esposa como se fosse filha dela.
- E como você ficou depois? A depressão?
- Além desse, - ele apontou para a cicatriz no pulso - eu tentei mais duas vezes, meus pais me internaram em uma clínica psiquiátrica. Eu fiquei lá durante um ano, em tratamentos, remédios e sessões com o psicólogo.
- Nossa, então você amava muito ela né? - sua pergunta tinha uma pontada de tristeza, ela não queria acreditar que Dante amasse tanto a falecida a ponto de não lhe dar uma chance.
- Na verdade, o problema todo foi porque eu tive um caso com a prima dela.
- Você traiu a Ivy?
Ele olhava para ela sem saber como explicar. Nunca imaginou que seria tão difícil e dolorido falar sobre esta história, sem reviver os momentos em que viveu.
- Sim, mas a história não é só essa, é muito mais complicado do que isso.
- Então me conta, eu quero te ouvir.

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