Enquanto jantavam e bebiam o vinho escolhido por Giovanni, os dois conversavam e Dante contava mais sobre como se sentiu ao saber que sua esposa estava viva.
- Ao mesmo tempo que eu quero muito ficar com ela novamente, eu vejo tudo o que ela tem e o como vive, e acredito que ela é muito mais feliz aqui do que será ao meu lado.
- Eu te entendo e não te julgo, sei que é difícil amar alguém e ter medo de fazê-la infeliz. Este é um dos motivos por que nunca me casei.
Dante ouvia Giovanni falar e acenava com a cabeça concordando.
E então com o álcool fazendo efeito para os dois, a curiosidade se aguçou e Dante finalmente fez as perguntas que estavam travadas em sua garganta por muito tempo
- Você já sabia da verdadeira identidade dela, não é? Por isso me disse aquela vez na sua casa que eu estava tendo uma segunda chance?
- Sim, eu já sabia.
- Desde quando você sabe? Desde a minha chegada?
- Não, mas a primeira vez que você a viu, a forma como se comportou me trouxe dúvidas. Então eu voltei ao local do acidente e deixei meus homens em busca de respostas.
- Seus homens? Que homens Giovanni? Quantas pessoas trabalham para você? Em que mais você trabalha além da hotelaria e entretenimento? - eram tantas perguntas em sua mente, que ele acabou disparando todas de uma vez.
- Voce já sabe com o que trabalho.
- E como você teve coragem de fazer tudo o que fez? protegê-la, recriá-la, você tem que ser muito grande para conseguir sem que te questionem ou te repreendam.
- Tudo o que eu fiz, foi para dar a ela uma boa vida, uma nova vida, já que como Ivy ela não podia viver mais.
- Como você fez isso? Documentos, faculdade, isso não é fácil de conseguir. Com o que você trabalha de verdade?
- Sou da hotelaria Dante, como você já sabe.
Dante abaixou a cabeça, respirou fundo, Giovanni não queria falar o que ele queria ouvir, mas ele precisava de respostas concretas e só o que tinha eram respostas vagas.
- Eu sei que você não gosta de mentiras, eu também não. Me fala a verdade. Você trabalha com o que Giovanni?
- Acho que você já sabe a resposta.
- Quero ouvir de você.
Ele bufou pesadamente, como se estivesse lutando contra as duas palavras. Mas se não respondesse, Dante continuaria a perguntar.
- Sim Dante eu sou da máfia. Satisfeito?
- Você é o chefe?
- Não, imagina, como um comerciante como eu seria o chefe? Sou apenas o consigliere, ou como vocês chamam, o conselheiro, apenas faço estratégias, aconselho, mas quem dá a palavra final é o Don.
- Por isso seu irmão não gosta da Hope? Por que ela é de fora e poderia te colocar em risco?
- Também, mas essa briga é diferente, é pelo fato de eu me recusar a casar e constituir família.
- Eu lembro do seu irmão ser casado.
- Sim, ele é. E ama a esposa que lhe foi designada.
- Ele também faz parte, não é?
- Sim.
- Hope sabe de vocês? Ela já teve contato com isso?
- Dante meu amigo, entenda, o que eu fiz foi para segurança dela. Estava óbvio que não foi um acidente. Aquilo foi uma tentativa de homicídio.
- Por que você diz isso?
- Eu estava lá quando explodiu, e creia, nós sabemos identificar um acidente de um assassinato, e não foi acidente. Nós já tínhamos nos encontrado em outro passeio, havíamos conversado um pouco, ela disse que estava sozinha, tinha sido traída e estava se divorciando. E de repente bum! O carro que ela estava explodiu.
- Foi quando você resolveu ajuda-la?
Sim, eu a levei para o hospital e deixei sob meus cuidados. Quando ela saiu de lá, meses depois, ela era Hope Bórgia. Eu a treinei para que ninguém tente novamente o que já tentaram.
- E você teve mais alguma resposta sobre isso? Quem foi ou porque? Ivy nunca teve inimigos, não faz sentido essa dúvida.
Giovanni ouviu a pergunta, mas preferiu ocultar o que já sabia quando pegou o guia de turismo. Preferiu não dizer a verdade para Dante.
- Eu sempre achei que tivesse sido o ex marido, por isso treinei ela tão pesado, ela é pequena e delicada, contra um homem não seria briga fácil. Mas depois que soube sobre você, a suspeita foi descartada.
- Acho que você está enganado pela primeira vez na vida.
- Talvez.
Os dois continuavam a beber, outras garrafas foram abertas e a noite se passava.
- Dante, por mais que pareça difícil, ou egoísta, não desista. Ela não lembra de ti, não lembra de nada, mas não significa que não possam ficar juntos novamente.
- Ela não me quer meu amigo, ela quer o meu corpo. - ele dizia rindo, sentindo o efeito do vinho em seu corpo.
- Ela quer você por completo, sexo também faz parte, não seja tão rígido. Aproveite.
Dante ouviu e assentiu, o que Giovanni dizia, fazia sentido, e ele teria que ter coragem para enfrentar a fera indomada.

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