DAMIAN WINTER
Olhei para os meus filhos. Apollo e Orion já tinham bigodes finos ridículos que eles se recusavam a raspar. Danian estava espichando tanto que as calças que compramos mês passado já estavam curtas.
O tempo era um ladrão cruel, mas também generoso.
Eu tinha orgulho do que construí. Mas, mais do que isso, eu tinha orgulho de ter construído isso para eles.
Mas a questão permanecia: o que eles fariam com isso?
— Meninos. — Chamei a atenção deles. — Vocês já estão no ensino médio. O Danian está quase lá. Sei que parece cedo, mas o tempo voa. Vocês já pensaram no que querem cursar na faculdade? E, mais importante... algum de vocês já pensou se vai querer substituir o velho aqui na empresa?
O silêncio caiu sobre a parte masculina da mesa. Orion foi o primeiro a quebrar, como sempre. Ele não tinha filtro e nem medo.
— Pai, sem ofensa... — Orion largou o garfo. — Mas a sua empresa é... terrestre demais.
— Terrestre? — Ergui uma sobrancelha.
— É. Chão. Terra. Eu quero ir pra cima. — Ele apontou para o teto do restaurante que tinha uma mancha de infiltração, mas entendi a metáfora. — Eu quero a NASA. Ou a SpaceX. Eu vou ser engenheiro aeroespacial. Acho até que vou para Marte, pai. O tio Markus disse que tem uns conhecidos e vai conseguir uma carta de recomendação para o MIT.
Sorri. Isso não era novidade. Desde que Orion ganhou seu primeiro telescópio aos cinco anos, ele vivia com a cabeça na lua.
— Marte, hein? — Assenti. — É um bom plano. Ambicioso. Gosto disso. Você tem meu apoio total, filho. Só prometa que vai mandar um cartão postal de lá.
— Pode deixar.
Me virei para Apollo. Meu primogênito. O gêmeo mais velho por alguns minutos. Ele estava quieto, empurrando uma ervilha no prato com o garfo. Apollo sempre foi o mais sensível, e principalmente esperto.
— E você, Apollo? — Perguntei diretamente. — O que se passa nessa cabeça?
Apollo levantou os olhos. Havia hesitação ali.
— Eu... bem... — Ele olhou para mim, depois para Stella, buscando coragem. — Eu posso fazer administração, pai.
Franzi a testa.
— Você pode? Ou você quer?
— Eu posso. — Ele repetiu. — Se você quiser que eu assuma a empresa... eu faço. Eu sou bom com organização. E posso aprender a liderar. Eu sei que é importante para a família manter o legado.
Senti um aperto no peito. Meu menino leal. Ele estava disposto a sacrificar a própria felicidade para me agradar.
Estendi a mão e baguncei o cabelo dele, ignorando seu protesto irritado.
— Apollo, A Winter é apenas um negócio. A empresa pode ser vendida, pode ser gerida por um CEO contratado. Eu nunca, jamais, vou querer que você faça algo só para me agradar.
Ele relaxou os ombros, soltando um ar.
— Então... o que você quer fazer? De verdade? — Insisti.
Um sorriso tímido surgiu no rosto dele.
— Literatura. — Ele confessou. — Eu quero ser professor, pai. Professor de Literatura Clássica. Quero ensinar Shakespeare e Dante. E talvez escrever meus próprios livros.
Sorri, orgulhoso.
— Professor. Isso é nobre. E combina com você.
— Você não ficaria decepcionado? — Ele perguntou, inseguro.
— Decepcionado? — Ri alto. — Ter um filho que entende o que aqueles poetas antigos diziam? Eu vou é me gabar para todo mundo. "Meu filho é o intelectual da família". Vai fundo, garoto. Escreva seus livros.
Apollo sorriu, aliviado.
Virei-me para Danian.
— E então? — Perguntei, esperançoso, mas já prevendo a resposta. — Sobrou você, Danian. Alguém tem que querer o trabalho do papai, não?
Danian limpou a boca com o guardanapo, com aquela calma assustadora dele.
— Pai, eu juro que amo você. — Ele começou. — Mas o seu trabalho é um pesadelo.
Stella soltou uma risada engasgada.
— Sincero. — Ela comentou.
— É sério. — Danian continuou. — Você vive no telefone. Você tem que lidar com gente paranoica. Você viaja o tempo todo e volta estressado todo dia. Eu não quero isso.
— E o que você quer, Sr. Sinceridade?
— Eu gosto do que a tia Leah faz. — Ele disse. — Medicina. Mas não trauma, muito sangue. Talvez neurologia. O cérebro é interessante. Consertar pessoas parece mais útil do que ganhar dinheiro para elas.
Leah seria uma influência em algum dos meus filhos, eu sempre soube. Ao menos nenhum deles parece querer ser como a Lizzy...
— Médico. — Suspirei, fingindo derrota, mas secretamente satisfeito. — Ok. Um astronauta, um professor e um médico. Eu criei uma equipe honrosa, mas nenhum sucessor empresarial.
— Acho que o meu trabalho é muito chato para a nova geração. — Comentei com Stella, pegando minha taça de água. — Vou ter que vender tudo quando me aposentar e gastar o dinheiro viajando com você, querida.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!