STELLA WINTER
QUATRO MESES DEPOIS
Quatro meses de uma felicidade tão profunda e estável que parecia ter solidificado o próprio ar que eu respirava. A gravidez, desta vez, foi diferente do que eu já havia vivido. Não havia medo, nem incerteza. Não havia a sombra de um futuro desconhecido ou a necessidade de ser forte sozinha. Havia apenas paz, cuidado e um marido que me tratava como se eu fosse feita do vidro mais fino e precioso.
Minha barriga estava imensa, uma esfera orgulhosa que anunciava a chegada da nossa filha. Eu me sentia como uma baleia, mas uma baleia muito amada e mimada. Damian havia assumido todas as rédeas quando completei 6 meses, gerenciando a casa, as crianças e a empresa com sua eficiência habitual, seu foco principal era eu e meu conforto. Ele monitorava minha ingestão de água, massageava meus pés inchados todas as noites e olhava para minha barriga como se ela contivesse todos os segredos do universo.
Era uma noite de sábado, chuvosa e preguiçosa. Havíamos passado o dia de pijama, assistindo a filmes e comendo pipoca. Os meninos estavam correndo pela sala de estar em uma perseguição barulhenta de "monstro", com Damian sendo o monstro, claro, rugindo e fazendo cócegas neles até que todos estivessem sem fôlego de tanto rir.
Eu observava do sofá, um sorriso permanente no rosto e a mão apoiada na minha barriga, onde nossa filha parecia estar dando uma festa de dança em resposta ao barulho.
— Certo, exército. — Damian anunciou, ofegante, levantando-se do tapete. — Está na hora do banho. O monstro declarou trégua.
— Ah, não! Só mais cinco minutos! — Danian implorou.
— Nem mais cinco segundos. Para cima. Apollo, Orion, vocês primeiro. — Damian ordenou, e com uma relutância grande, os três começaram a subir as escadas.
Com um suspiro de esforço, usei os braços do sofá para me impulsionar. O dia todo, eu senti uma pressão diferente. Mas as contrações de treinamento eram minhas companheiras constantes há semanas, então não dei muita atenção.
Levantei-me e me espreguicei, sentindo as costas reclamarem. E foi então que aconteceu.
Não foi um dilúvio, como nos filmes. Foi um "pop" suave, quase imperceptível, seguido por um fluxo quente e incontrolável de líquido escorrendo pelas minhas pernas e encharcando minhas calças de moletom.
— Ah. — foi tudo o que eu disse.
Damian, que estava no meio da escada, parou e se virou. Ele viu a poça se formando aos meus pés. Vi seus olhos se arregalarem e ele ficou branco como um fantasma.
— Stella? — a voz era uma oitava acima do normal.
— Oi, marido. — eu disse, com um sorriso calmo. — Acho que a sua filha decidiu que está na hora de conhecer você.
O cérebro de Damian pareceu entrar em curto-circuito. Ee ficou paralisado. Então, o pânico tomou conta.
— MEU DEUS! — ele gritou, descendo as escadas, quase caindo no último degrau. — A BOLSA! A BOLSA ESTOUROU! LARISSA! LARISSA, LIGUE PARA O HOSPITAL! LIGUE PARA A AMBULÂNCIA! LIGUE PARA O EXÉRCITO!
Ele começou a correr em círculos pela sala de estar, como uma galinha sem cabeça.
— Onde está a mala? A mala! Eu a deixei na porta! — ele correu para o hall, agarrou a mala de ginástica que ele usava para a academia e correu de volta. — Estou com ela! Vamos!
Eu não pude evitar. Comecei a rir.
— Damian. — chamei.
Ele parou, ofegante.
— O QUE FOI? ESTÁ DOENDO? AS CONTRAÇÕES! VOCÊ ESTÁ TENDO CONTRAÇÕES?
— Damian. — falei novamente, ainda rindo. — Essa é a sua mala de ginástica. A minha é a azul, que está ao lado da porta do nosso quarto, onde está há três semanas, como combinamos.
— Certo! A mala azul! — ele largou a mala de ginástica e disparou escada acima.
— E, amor? — chamei.
Ele parou na metade do caminho, parecendo um animal assustado.
— O quê?!
— Eu vou tomar um banho rápido.
A expressão no rosto dele foi impagável. Parecia que eu tinha acabado de sugerir que fôssemos plantar um jardim.
— UM BANHO? AGORA? STELLA, O BEBÊ ESTÁ SAINDO! A CRIANÇA VAI NASCER NO TAPETE!
— Querido. — eu disse, caminhando lentamente em sua direção e pegando seu rosto entre minhas mãos. Ele estava tremendo. — As contrações mal começaram. Está tudo bem. Não vamos ter um bebê no tapete. Eu prometo. Eu não vou para o hospital grudenta de suor e... bem, de líquido amniótico. Agora, respire fundo. Pegue a mala certa. Coloque-a no carro. Pegue meu casaco. E me espere aqui embaixo. Eu não vou demorar.
Beijei-o suavemente. Ele assentiu, entendendo as ordens.
— Certo. Mala azul. Carro. Casaco. Esperar. — ele repetiu, antes de disparar escada acima.
Subi atrás dele, em um ritmo muito mais lento. Enquanto eu entrava no banheiro, ele passou por mim como um foguete, com a mala certa na mão.
O banho quente foi divino, acalmando meus nervos e os primeiros espasmos de dor que começavam a se formar em minha lombar. Vesti um vestido de moletom confortável e, quando saí, encontrei Larissa no corredor com três meninos de pijama com expressões de confusão e animação.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!