Isabel olhava para Callum espantada por vê-lo ali e sobretudo pelas coisas que trouxe; nunca ninguém havia sido tão atencioso com ela a ponto de lembrar esse tipo de detalhe sobre seus gostos.
— Você se lembra disso? — perguntou em voz baixa, pegando a caixa entre suas mãos como se fosse um tesouro. Podia sentir suas bochechas vermelhas e as borboletas agitando-se em seu estômago.
Callum deu de ombros, como se não fosse importante, mas evitou olhá-la nos olhos.
— Não é algo que se esqueça facilmente — justificou-se ele de maneira evasiva.
O silêncio voltou a cair entre eles, mas desta vez não era desconfortável, e sim cheio de uma tensão sutil, carregada de palavras não ditas. Isabel não pôde evitar sorrir um pouco, embora seu coração batesse mais rápido. Estava agradecida, mas algo em seu peito se apertava. Não sabia como processar o que estava acontecendo entre eles.
— Obrigada — disse ela, sentindo que suas palavras eram insuficientes.
— Não precisa me agradecer — respondeu Callum, em um tom quase defensivo, como se não quisesse que o gesto fosse interpretado de uma maneira especial.
No entanto, ambos sabiam que era. O ar entre eles se sentia pesado com algo mais que gratidão ou simples amizade. Era uma mistura de sentimentos sem nome, de algo que estava se formando mas que nenhum estava preparado para aceitar.
Finalmente, Isabel quebrou o silêncio, sua voz era suave, mas firme.
— Não sei o que dizer, Callum. Tudo isso... o que você fez... — suas palavras se desvaneceram enquanto olhava para o chão, incapaz de encontrar a maneira adequada de expressar o que sentia — me confunde — desabafou Isabel.
Ele era um homem comprometido e com Julieta, que era uma grande mulher, tinha a perdoado e aceitado e, ela... fazia as pazes com o fato de que Callum iria se casar em poucas semanas.
O casamento havia sido adiado algumas semanas por causa dos pais de Callum, mas eles logo chegariam e o casamento seria consumado como planejado.
Ele a observava, sem saber como responder, até que finalmente se aproximou um passo. A proximidade entre eles aumentou a tensão, e por um momento, pareceu que algo iria acontecer, algo que nenhum dos dois tinha certeza se queria. Isabel levantou o olhar e o encarou diretamente nos olhos, buscando algum sinal, alguma resposta.
— Cal... — suspirou Isabel, sentindo-se momentaneamente absorvida pelos olhos deste homem.
Sempre acontecia o mesmo, como se ele a hipnotizasse.
"Como ele se pareceria com o cabelo solto?", pergunta-se a moça em sua mente.
— Não precisa dizer nada — murmurou Callum, com a voz mais suave que o habitual. Não sabia se era um consolo ou uma desculpa para evitar que a conversa avançasse para um terreno mais perigoso.
Isabel o olhou com intensidade, suas palavras presas em sua garganta. Podia sentir o calor que irradiava dele, a tentação de dar mais um passo, mas também o medo do que isso significaria para ambos.
— Callum... — começou, mas interrompeu-se ao ver que ele também tinha dado um passo para trás, como se estivesse escapando de algo que ainda não entendia.
— Será melhor que eu vá embora — disse ele repentinamente, quebrando o feitiço entre eles. Isabel o observou, notando como seus ombros pareciam tensos, como se estivesse lutando internamente.
Antes que pudesse responder, ele já tinha se virado e estava saindo pela porta, deixando Isabel sozinha na soleira, com o coração acelerado e a cabeça cheia de perguntas.
Num momento impulsivo, caminhou rápido e agarrou o pulso de Callum, que a olhou surpreso; não pensou que ela o seguiria.

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