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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 101

Capítulo 101

Emma Collins

Fiquei lembrando da conversa no jardim com Riley.

Levei um não na cara.

Ela não levantou a voz, não brigou comigo — só me olhou como quem já tinha escolhido um lado. E não era o meu.

Expliquei, implorei, mostrei até o braço ainda doendo pelos pontos, disse que era pelo bebê. Que estava grávida de Jackson. Ela ficou chocada, claro, mas não mudou a resposta: “Se Luca quisesse te matar já teria feito. Se mandou ficar é porque tem um motivo.”

Um motivo. Sempre tem um motivo. E nunca é em meu favor.

Ela não vai me ajudar. Não vai me proteger. Preferiu acreditar no marido, no Don, no monstro que arrastou ela de um altar e que agora usa a palavra “família” como se fosse um abraço. Eu? Eu fiquei sozinha. De novo. Palhaçada.

E sozinha eu aprendi a sobreviver.

Por isso, quando tentei trazer o Consigliere para o meu lado, foi uma aposta alta. Um homem como Derrick podia me dar a proteção que Riley jamais me daria, e Luca acabaria aceitando. Se ele tivesse caído, eu estaria segura. Mas aquele idiota escolheu a babá sonsa, sem sal, com cheiro de limpeza num uniforme que já grudou na pele. Virou as costas pra mim como se eu fosse um estorvo.

Idiota. Não percebeu que enquanto ele me afastava, eu puxava o celular do bolso dele. Um movimento treinado em meses de necessidade. Nem suor me deu.

Assim que ele saiu, me tranquei no quarto de hóspedes que me instalaram. O celular brilhava na minha mão como chave de uma cela.

E eu sabia o número do único que ainda poderia me ajudar. Sempre soube. Jackson é detestável, egoísta e só me usou. Mas assim que souber que vai ser pai, as coisas vão mudar.

Eu sei que ele disse que queria a Riley. Mas estou esperando o filho dele, ela não. Sei que sempre quis um herdeiro. Vou dar a ele. Vai aprender a me respeitar mais cedo ou mais tarde.

Disquei. Porque sinto que aqui corro perigo. Nunca estarei segura.

— Porque está me ligando Consigliere? O inferno não te engoliu ainda, seu maldito? — Jackson parecia furioso. Deve ter gravado o número do Derrick no celular dele.

— Sou eu — falei, seca. — Preciso falar com você. É urgente.

Do outro lado, silêncio, e depois a risada venenosa que eu já esperava.

— Agora você quer falar comigo, sua vadia?

Fechei os olhos. Engoli o orgulho.

— Sim. É urgente. E é do seu interesse. Vai querer saber ou ser engolido por Luca Black?

— Fala. Não estou com paciência pra você, Emma.

— Não posso por aqui. Estou vigiada e correndo riscos, assim como você. Onde podemos nos encontrar?

Ele ficou em silêncio mais alguns segundos, avaliando. Depois ditou:

Do outro lado, caí mal, mas protegi a barriga. Doeu. Respirei fundo. Continuei. Não posso me dar ao luxo de perder o bebê.

Encontrei um corredor lateral da casa vizinha, o cadeado antigo na grade. Usei a mesma presilha, forcei, forcei… até que cedeu. E, de repente, eu estava na rua.

Uma senhora passava com um cachorro, e nem me olhou duas vezes. Eu ajeitei o cardigã, o coque malfeito, e caminhei como se pertencesse ao bairro. Como se fosse só mais uma mulher. Embora parcialmente molhada.

Cheguei à calçada oeste. Esperei. Quinze minutos depois, o sedã preto parou.

O motorista abaixou o vidro.

— Emma Collins?

— Sim.

Ele abriu a porta. Entrei, apoiando a barriga com a mão. O carro arrancou, engolindo a cidade.

Não olhei pra trás.

Se Luca não me ajuda, se Derrick não me protege, se Riley me vira as costas… sobra Jackson. Sempre sobra Jackson. E ele vai ter que me querer de volta, queira ou não.

Eu e meu filho não vamos morrer naquela casa.

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