Capítulo 103
Luca Black
A porta da mansão bateu contra a parede com tanta força que o eco pareceu gritar junto comigo.
— Onde ela está? — a voz saiu como trovão, cortando o ar.
O Consigliere ergueu os olhos de cima da mesa, já esperando o meu surto. Riley havia ligado minutos antes, a voz dela tremendo quando disse: “Emma sumiu.” Desde então, cada músculo do meu corpo ardia como brasa.
— Eu quero as imagens agora! — avancei contra Derrick, o ódio queimando nos olhos. — Você foi desatento com uma cobra dentro de casa!
— Eu já verifiquei. — ele respondeu, firme, sem se intimidar. Empurrou o notebook para a ponta da mesa. — Senta e vê por si mesmo.
Arranquei a cadeira com um movimento brusco e me curvei para a tela. As câmeras mostravam cada segundo. Emma ligou para Jackson, traiu minha confiança. Então esperou o guarda da lateral se afastar, aproveitou a distração do mordomo na lavanderia, mexeu no maldito sprinkler para despistar, depois subiu pelo jacarandá como se tivesse ensaiado a fuga durante dias. Cada passo calculado.
— Desgraçada… — cuspi a palavra entre os dentes. — Só sabe fazer merda essa guria.
— Encontra ela, Luca... — Riley pediu. Não respondi. Virei babá de mulher inconsequente.
Derrick respirava fundo ao meu lado. Eu sabia que ele estava se culpando tanto quanto eu queria culpá-lo. Mas não era hora para gritos inúteis. Era hora de achar aquela maldita.
— Para onde ela foi? — perguntei, seco.
— Fiz rastreamento da última chamada. Mas ouça isso direito — Derrick clicou, e o áudio abafado ecoou: a voz dela… e a dele. Jackson durante a chamada, ouvi com calma.
Meu estômago revirou.
— Então é isso… — me ergui devagar, fechando o laptop com força. — Ela vai contar tudo. A princípio pode não ser um grande problema, mas quando se trata de Jackson é tudo tão sujo que não posso confiar. Não sei o que ele pode fazer com essa informação.
Riley estava com os olhos vermelhos.
— Luca… e se ele a machucar—
— Fica em casa. — cortei sem olhar para ela. — Vou atrás dela. Você não vai se estressar a toa. Não te quero perto deles. Lembra que está responsável por cuidar do nosso filho na sua barriga. Pensa nisso.
— Tudo bem. Vou ficar esperando. Me mande notícias.
Derrick já estava de pé, ajeitando o coldre.
— Eu vou também.
— Claro que vai. Fez a merda acontecer. Quero ver consertar — peguei o sobretudo, os passos duros até a porta. — Você me deve essa. Mais tarde acertaremos as contas, pode ter certeza.
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O endereço estava fresco na cabeça. Van Brunt Street, Red Hook. Armazém C. Não havia erro.
Os carros da famiglia chegaram primeiro, cortando o silêncio da rua deserta com motores graves. Descemos rápido, cada homem tomando posição. Rifles prontos, olhares atentos.
— Ninguém entra nem sai. — ordenei, a voz firme como gelo. — Quero esse galpão limpo em dois minutos.
Os soldados avançaram, quebrando a porta lateral de ferro. Eu e Derrick seguimos logo atrás.
Mas não havia ninguém.
Só o cheiro. Ferro, sangue fresco, misturado com poeira velha.
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A comitiva de carros avançou em direção ao hospital. Chegamos em menos de dez minutos.
Eu desci do carro ainda em movimento, empurrando a porta com força. Soldados cercaram a entrada. A recepção ficou em silêncio quando entrei, a arma quase à mostra no coldre.
— Onde está? — rosnei para a atendente. — Uma mulher, ferimento de bala. Chegou nos últimos trinta minutos. Seu nome é Emma.
A mulher arregalou os olhos.
— N-não tivemos nenhum caso assim…
— Tem certeza? — Derrick se aproximou, a voz fria. — Nenhum médico atendeu? Nenhum carro chegou?
A atendente balançou a cabeça, apavorada.
— Absolutamente nada, senhores. Eu diria se soubesse.
O silêncio me engoliu.
Olhei para Derrick. Ele olhou de volta. Não precisávamos de palavras.
Eles não estiveram ali.
Emma estava ferida, em algum lugar da cidade, sangrando nas mãos de Jackson.
Não que eu me importe com ela. Quero mais é que se foda, mas penso na Riley. Já fez tanto por essa ingrata.

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