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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 104

Capítulo 104

Luca Black

Saí do hospital com meus homens. Cada um foi para um canto fazendo uma varredura completa. E eu tentando encontrar Jackson no celular, inutilmente.

O asfalto engolia a cidade diante dos meus faróis, mas nada parecia rápido o bastante. Cada esquina, cada sinal aberto, só me lembrava que eu estava correndo contra um relógio que já devia ter estourado. O rádio chiava com as vozes dos soldados espalhados pela rota, até que uma frase cortou o ar:

— Achamos o carro do Jackson. Latitude enviada.

Pisei mais fundo, o motor rugiu.

Quando virei a esquina, lá estava: um sedan escuro, atravessado na lateral da estrada de terra, porta do passageiro escancarada.

Desci com a arma em punho. O cheiro metálico já me atingia antes mesmo de chegar perto. No banco havia um cachecol feminino, ensopado em vermelho, o celular dela partido ao meio no chão.

Emma.

Segui as marcas até a beira do mato. E ali, caída como boneca largada, estava a maldita. Pele branca demais, olhos semicerrados, o corpo pequeno abraçando o vazio. O sangue escorria para o barro, formando um mapa maldito que contava o fim dela.

Meu peito travou. Não por ela. Nunca fui com a cara dessa mulher. Mas por Riley. Como caralhos eu vou olhar pra minha mulher e dizer que a irmã dela se foi? Que o bebê que ela carregava — o meu sobrinho e o dela — morreu ali, como cachorro sem dono?

— Filho da puta… — sussurrei, fechando a mão em punho.

Foi quando ouvi soluços.

Jackson surgiu do outro lado da clareira, empurrando a própria cadeira de rodas, as mãos trêmulas cobertas de sangue. O rosto estava desfigurado pelo choro, olhos vermelhos, a boca implorando por ar entre soluços.

— Eu… eu não queria… — a voz saiu quebrada, afogada no pranto. — Luca… eu não sabia do bebê… Deus… eu juro que não sabia! Eu achei que ela estava me manipulando. Ela era manipuladora demais. Mentirosa.

Os soldados levantaram os rifles de imediato. Eu ergui a mão.

— Baixem. Ele é meu.

Caminhei até ele. Segurei o aro da cadeira e o travei contra o barro. Ele tentou recuar, mas não tinha para onde ir. Encostei o cano da arma na testa dele. O choro virou tremor. O suor escorria, misturado ao sangue no rosto.

— Você matou a mãe do meu sobrinho. Seu filho, caralho! — minha voz saiu baixa, gélida. — Se Riley olhar pra mim e desabar, é você quem paga seu idiota. Pra que fazer isso? Hein?

Jackson fechou os olhos, trêmulo, incapaz de erguer a cabeça.

— Me mata… me mata logo… eu mereço… — soluçava, cuspindo lágrimas. — Eu não queria que ela morresse, eu perdi a cabeça, Luca… por favor, eu não queria!

Meu dedo coçou no gatilho. Eu queria acabar com ele ali mesmo, deixar o sangue dele misturado ao dela no barro. Mas antes do estampido, uma voz me interrompeu.

Seria verdade? Em quem acreditar agora?

Por um segundo, o mundo inteiro ficou parado. Minha mão ainda firme na arma, o peso da escolha queimando. Mas eu sabia a verdade: matar Jackson não traria Emma de volta. Nem o bebê. Só deixaria minha mãe mais despedaçada.

Baixei a arma devagar. Jackson tombou para frente na cadeira, soluçando como criança.

— Some da minha frente. — falei, cada palavra cuspida como veneno. — Da próxima vez que eu te ver, nem Deus vai impedir a bala.

Ele se arrastou na cadeira, as rodas rangendo na terra molhada, o corpo tremendo de choro. Amélia o seguiu, lançando um último olhar de reprovação para mim, como sempre fez.

— Derrick! Organiza um funeral digno pra ela. Faça parecer que sofreu um acidente e avise o horário e o local. Ela será enterrada como membro da família Black em respeito a Riley e por ter o filho do Jackson morto na barriga.

— Sim chefe. Pode deixar.

— Depois me procure. Temos contas a acertar. — Ele assentiu.

Fiquei ali, parado, encarando Emma no barro.

E então, o peso real caiu sobre mim. O problema principal não era a morte dela. Era o olhar de Riley, quando eu dissesse que a irmã estava morta.

Como caralho eu vou quebrar o coração da mãe do meu filho?

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