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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 106

Capítulo 106

Luca Black

A casa estava silenciosa quando voltei do funeral. A noite tinha se arrastado em cada lágrima da Riley, em cada punhado de terra jogado sobre o caixão da Emma. Eu só queria levá-la para o quarto, trancar a porta e não ver mais ninguém. Mas a sala não estava vazia.

Minha mãe me esperava ali.

— Mãe… — murmurei, já cansado demais para surpresas. — O que faz aqui?

Ela se ergueu devagar do sofá, os olhos marejados.

— Precisamos conversar, Luca.

Riley se desprendeu e foi subindo as escadas em direção aos quartos.

Suspirei fundo, largando o sobretudo na poltrona.

— Se for sobre o Jackson, já aviso: não quero ter essa conversa.

— Mas vai ter. — ela rebateu, a voz trêmula mas firme. — Você precisa perdoar o seu irmão.

Revirei os olhos, a paciência se esfarelando.

— Perdoar? Depois do que ele fez? Depois de matar a mãe do meu sobrinho?

— Tudo isso é consequência. — ela ergueu a mão, tentando me conter. — Seu pai sempre privilegiou você. Deu tudo para você, e ignorou o Jackson. Não é justo.

Soltei um riso seco.

— E a culpa é minha?

— Não. — ela se aproximou. — Mas você pode resolver. Divida a herança com ele. Meio a meio. Você continua como chefe, como seu pai escolheu. Cumpriu as obrigações, está casado, vai ter um filho. Mas dê a parte do seu irmão… e então os problemas acabam e posso morrer em paz.

Arqueei as sobrancelhas, incrédulo.

— Do que está falando, mãe? A senhora não vai morrer.

Ela respirou fundo, os olhos marejando de novo.

— Estou doente, Luca. Minha saúde está debilitada. Descobri um problema cardíaco, diabetes… esses estresses não vão me deixar viver os últimos anos em paz. Eu quero resolver isso antes.

O silêncio caiu. Eu a encarei, pesado. Por um instante, vi a fragilidade dela por baixo daquela máscara que sempre protegeu o Jackson.

Pensei. Analisei. Isso não mudava muito na minha vida. A herança era poder, mas poder eu já tinha. O que eu queria era paz para Riley é meu filho.

— Está bem. — respondi, a voz firme. — Mande fazer os documentos. Me envie para ler e analisar. Eu assino. Mas com uma condição: que ele nunca mais cruze o meu caminho. Eu quero me livrar desse problema de vez.

Ela se aproximou, emocionada. Me abraçou forte, beijou minha testa como fazia quando eu era garoto.

— Você é bom, meu filho. Seu pai sempre soube a diferença. Por isso te escolheu.

Afastei devagar, o olhar duro.

— Você sempre fica do lado do Jackson, mãe.

Ela sorriu triste.

— Não. É que você é forte. Ele é fraco. Eu o ajudo porque precisa.

Engoli em seco, o peito queimando.

— E eu? Sempre fico com o resto seu?

— Não sei. — respondi sincero. — Só me sinto diferente ultimamente. Você se incomoda?

— Não. — ela abriu os olhos, a voz embargada. — Eu gosto. Só tenho medo que um dia você pare. Porque daí me acostumo e fica mais difícil esquecer.

Virei-a devagar para mim. Segurei o rosto dela, obrigando-a a me encarar.

— Escuta bem, docinho… eu escolhi você. Te roubei no altar para ser minha esposa. Só isso já não tem volta no mundo em que vivo. Então o destino resolveu nos dar um filho… Você acha que eu te deixaria algum dia?

Os olhos dela se encheram d’água.

— Eu falo de outras mulheres. Sei muito bem o que você quer, mas não consigo te dar. Tenho medo que procure em outras por causa do problema com o hímem.

Apertei seu queixo, firme.

— Isso não vai acontecer.

Ela respirou fundo, hesitante.

— Eu vi a Tamy olhando pra você o tempo todo no funeral.

Soltei um riso frio.

— Problema é dela. Mas agora você precisa descansar.

Terminei de lavar seus cabelos, enxugando-os com cuidado. Ajudei-a a sair do box, envolvi-a na toalha, e depois a levei até a cama.

Deitei ao lado dela, puxei-a contra o meu peito. A respiração dela foi se acalmando, o corpo pequeno encontrando abrigo no meu.

Fiquei ali, acordado, ouvindo a cadência do sono chegando nela.

E me dei conta: o mundo inteiro podia desmoronar, mas enquanto eu a tivesse nos braços, ainda haveria alguma paz.

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