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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 110

Capítulo 110

Luca Black

Voltei à sala. Passei os olhos pela moldura de família sobre o aparador — a que não tinha Jackson porque ele não apareceu no dia da foto; a que tinha minha mãe com um sorriso cansado; a que tinha eu, com o rosto sério demais para a idade. Lembrei de quando ainda era possível acreditar que o telhado, por si só, protegia as pessoas de dentro.

Peguei a moldura. O vidro tinha uma trinca fina no canto. O reflexo do lustre passava por ela e se multiplicava, criando três, quatro pontos de luz. Pela primeira vez naquele dia, eu falei comigo, do jeito que meu pai fazia quando precisava decidir quem viveria no dia seguinte:

Acabou.

Acabou a disputa de meninos por um trono que sangra. Acabou o eco de um crime antigo reclamando direitos no presente. Acabou, por ora, o inferno de justificar o injustificável.

Eu fiquei vazio. Mas me lembrei:

Só não acabou o que me amarra aqui: Riley, a criança que cresce dentro dela, o mundo que eu prometi proteger mesmo que eu não mereça paz nenhuma em troca.

Quando os homens passaram por mim com a maca, eu encostei dois dedos no lençol branco sobre a cabeça da minha mãe — um adeus seco, da família que a casa fez de nós. Depois, encostei a mão no ombro do corpo de Jackson, por cima da lona, rápido. Não era perdão, não sabia o que era.

Derrick voltou e me acompanhou até a entrada. O portão destruído gemia no ferro retorcido; meu carro estava parado torto no jardim, vidro estilhaçado, capô enrugado como uma testa velha. O cheiro de motor quente subia com a neblina curta da madrugada.

— Don. — ele disse, parando ao meu lado. — O que o senhor quer que eu diga à senhora Riley?

Olhei pro céu um segundo — preto, sem estrela, era noite já — e depois para a casa que ficou. Senti as mãos abertas, vazias.

— Diz a verdade. — respondi. — Mas me dá cinco minutos antes. Eu preciso limpar a voz. Ela vai me ligar. Só preciso de silêncio.

Ele assentiu, como quem entende que há vozes que precisam ser lavadas para não ferirem quem a gente ama.

Ama? Será que eu a amo?

No corredor, antes de subir, encostei a mão na parede. A textura fria do reboco me ancorou. E, só então, o peso todo desceu do pescoço para o peito, do peito para os joelhos.

Eu suportei.

— Senhor. O mordomo disse que sua senhora dormiu.

— Não não diga nada a ela ainda. Eu vou pra casa. Essa aqui não é minha.

.

.

Subi as escadas com o cuidado de quem carrega algo que se pode quebrar. Abri a porta do quarto devagar. Riley dormia de lado, uma mão sobre a barriga, a respiração rasa dos que acham um lugar seguro por algumas horas. Fiquei olhando por um tempo que não sei medir.

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