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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 111

Capítulo 111

Luca Black

Derrick bateu na porta com a ponta dos nós dos dedos, um toque curto, disciplinado. Eu já estava de pé, encarando o terno preto pendurado no cabide como quem encara um veredicto.

— Don — ele começou, quando abri —, está tudo pronto. Os corpos chegam ao velório em uma hora exata. Equipe da casa posicionada, segurança dobrada, e os carros para a comitiva estão alinhados no pátio.

Assenti uma única vez. O corredor parecia mais estreito do que ontem.

— Todos foram avisados? — perguntei, voz baixa, pragmática.

— Funcionários, soldados, capos aliados, o conselho da máfia Amercana, sócios das empresas. Tamy e o pai dela confirmaram presença. — Ele consultou o relógio —. Os primeiros chegam em vinte minutos para a recepção.

— O código do luto? — continuei.

— Preto absoluto. Nenhum outro tom. Eu repeti três vezes. — Ele segurou meu olhar. — E o segredo, Don… morre aqui. Ninguém abrirá a boca sobre sangue. Jackson é um Black. Ponto.

O músculo no meu maxilar latejou.

— Bom. — Me virei. — Se alguém insistir em curiosidades, não entra. Nem se trouxer flores. Hoje quem manda é o silêncio.

— Sim, chefe.

Voltei para o quarto. Riley estava acordada, apoiada no cotovelo, o cabelo caindo pelo ombro, um nó de preocupação na testa.

— Ele disse…? — A pergunta ficou no meio da frase.

— Em uma hora. — Falei sem rodeios. — A casa vai estar cheia. Vai ser um dia longo.

Ela colocou a mão na barriga, respirou fundo e assentiu. O gesto era simples, mas me ancorou melhor do que qualquer parede.

— Vou me vestir — disse, a voz firme. — Preto. Como você determinou.

Entrei no closet. Camisa, gravata, terno, tudo preto. No espelho, ajeitei a gravata. Riley encostou ao meu lado com um vestido preto que descia reto até os tornozelos, mangas compridas, discreto.

Ela aproximou as mãos do meu peito, alinhou o nó da gravata com um cuidado quase cerimonial.

— Olha pra mim — pediu.

Olhei. Ali não tinha pena. Tinha presença.

— Você não está indo sozinho — disse, firme. — Onde você for hoje, eu vou. Do seu lado. E ninguém vai confundir o que somos.

— Vão tentar — retruquei.

— Vão falhar — encerrou.

Peguei o relógio.

— Derrick vai te acompanhar até a sala principal enquanto eu confiro o portão e as posições. Qualquer um com dúvida, passa por ele. Hoje eu só falo quando precisar. O resto o Consigliere resolve.

— Entendido, chefe — ela repetiu, sem ironia. Às vezes, as palavras certas na boca certa me lembram que fiz escolhas corretas.

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A casa acordou com passos contidos, vozes baixas. Mordomos abriram as cortinas só o suficiente para que a luz cinzenta da manhã entrasse. Soldados em preto ocuparam discreto cada quina: dois no saguão, quatro divididos nos corredores, mais seis no pátio. Eu desenhei a segurança como se estivesse planejando uma emboscada. Porque luto também é guerra; é quando a família está mais exposta.

No hall, alinhei a equipe.

— Hoje, nenhum celular — anunciei. — O fotógrafo da casa registra para o arquivo interno e para a imprensa oficial das empresas. Nada de vazamentos. Quem desobedecer não volta a entrar aqui nem para pedir perdão.

Um coro de “sim, chefe” baixo, sincronizado, correu pelo mármore.

— Porta principal fica entreaberta. Duas equipes no perímetro externo, uma no estacionamento, outra junto ao mausoléu. Rotas de fuga liberadas, mas invisíveis. — Olhei para dois soldados —. Hofmann, Rizzo, vocês no cortejo do caixão da minha mãe. Torres, Mateo, no do Jackson. Conselho carrega junto. É honra, não favor. Entenderam?

— Sim, Don.

— Último recado — levantei a voz meio tom. — Todos de preto. Sem exceção. Quem aparecer de outro jeito, volta. Amélia é mãe do Don; Jackson é meu irmão. Quem tem dúvida já está faltando com o respeito.

Silêncio. O melhor dos sinais.

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Dois caixões. Minha mãe à esquerda, Jackson à direita. Fiquei na base da escada, as mãos ao lado do corpo.

Rostos foram surgindo: capos italianos, americanos, dois representantes mexicanos em luto discreto, três acionistas com ternos bem cortados e olhos mais frios do que cifrões. Tamy chegou com o pai, um homem de cabelo completamente branco que sempre olhou para mim como quem mede preço e valor ao mesmo tempo. Eles se aproximaram, curvaram a cabeça.

— Nossas condolências, Don — disse o velho, e Tamy, com a voz mais cálida:

— Sinto muito, Luca. — Ela hesitou —. Se precisar de algo… qualquer coisa… — Tentou se aproximar.

Fiz um aceno curto, e Derrick entrou no lugar que eu precisava que ele ocupasse.

— O Don agradece. — Ele sorriu com o recato de quem sabe calar. — Se quiserem, a sala à direita está preparada para os mais próximos. Água, café. Sem álcool antes do enterro. Peço que respeitem o puto do chefe.

O pai dela assentiu. Tamy segurou o braço do próprio pai e recuou. Eu não me mexi.

Um capo do conselho, McCall, tentou se aproximar mais do que devia, aquele tipo de homem acostumado a passar de cercas que não são suas.

— Luca, precisamos alinhar…

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