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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 112

Capítulo 112

Riley Black

Faz quatro dias que o calor de Curaçao me lembra que o mundo continua rodando mesmo quando por dentro a gente só quer ficar parada.

O mar aqui tem uma cor indecente de bonita — um azul que parece ter sido inventado para insultar o luto.

Ele me deixou escolher, e escolhi esse lugar porque Luca precisava respirar longe do concreto, e eu precisava de um céu que não ameaçasse desabar sobre a nossa cabeça. Mas, nesses quatro dias, ele tem sido um oceano quieto: profundo, poderoso, calado. E eu entendo.

Ele acorda antes do sol, corre na praia, volta com o corpo suado e o olhar longe. Bebe café quase sem açúcar, responde mensagens, coordena equipes, distribui ordens com a precisão de quem pode reconstruir ou derrubar um império numa manhã.

Fala pouco comigo. Não por frieza — eu reconheço gelo quando vejo —, mas por excesso de peso. É como se todas as palavras tivessem virado chumbo dentro dele, e ele só pudesse carregar o indispensável.

Eu caminho ao lado. Faço a minha parte. Durmo de tarde com a brisa batendo nas cortinas, saio com ele à noite para jantares silenciosos de peixe grelhado e limão. Sorrio para a equipe do hotel como se fosse normal sermos um casal que fala por olhares e respira por turnos.

Dou a Luca espaço, sim, mas também observo seus ombros. Quando a tensão chega na nuca, eu sei que está na hora de tocar. Quando ele endurece o maxilar, eu sei que está na hora de calar. A dor ensina a ler o alfabeto do outro.

Hoje a água estava morna como promessa de calmaria. A praia parecia inteira só nossa: as palmeiras desenhavam sombras compridas na areia, e eu nadei até onde os pés perdem o chão só para sentir o corpo flutuar sem esforço.

Ele ficou deitado na espreguiçadeira, óculos escuros, cabeça encostada, o tipo de silêncio que não é vazio — é vigilância. De vez em quando, eu sentia o olhar dele me seguindo, como um sinal de vida enviando pulsos de longe, debaixo do mar.

Voltamos no fim da tarde, salgados, queimados de sol. No elevador, o vidro refletiu a minha pele cor de verão, o cabelo mais claro nas pontas. Toquei a barriga sem pensar, reflexo de quem agora mede o mundo de outro jeito, a partir de dentro.

Ele reparou. Um músculo se suavizou no rosto dele, pequeno, rápido, e sumiu. Eu prendi esse detalhe no bolso da memória. As pequenas rendições do meu marido são mapas: por elas eu sei por onde chegar.

Assim que entramos no quarto do hotel — um desses quartos abertos, com janelas absurdas para o mar, móveis em madeira clara e lençóis que parecem nuvem —, a vida real entrou junto com a tecnologia. Dois toques no celular dele e a agenda puxou para dentro: videoconferência com conselheiros da máfia, uma questão de segurança em Nova Iorque, outra em Miami, e um ajuste numa rota do Mediterrâneo. Eu poderia ter reclamado, mas não seria honesto. Pela primeira vez em dias, o trabalho soava como uma boia que ele agarrava para não afundar.

— Eu cuido daqui — falei, pegando nossas sacolas de praia. — Vai, resolve.

Ele apenas assentiu e caminhou até a mesa. O notebook abriu como um palco, e três rostos apareceram em janelas diferentes. A voz do Luca mudou um grau: o timbre seco que faz homens adultos engolirem saliva. Eu sorri sozinha. Quem vê pensa que é esse tom que me seduz. Não é. O que me desmonta é quando ele fala baixo comigo, como se as palavras viessem com a mão por trás, sustentando. Mas essa voz, a do Don, eu também respeito. Em dias como hoje, ela o mantém inteiro.

Fui para o banheiro. Deixei a água varrer o sal, o sol, o cansaço. Escolhi na mala a lingerie que guardei para acender luz onde ele insiste em colocar sombra: renda vermelha, delicada, com cinta-liga. Não era sobre gritar “olha para mim”. Era sobre lembrar a ele, no idioma que nós dois sabemos falar, que o corpo também é casa e que, quando o teto ameaça, a gente pode, sim, construir por baixo.

Saí do banheiro com o robe leve por cima, o cheiro do meu perfume misturado com o cheiro do mar e do sabonete. Ele falava com alguém sobre planilhas e rotas, a postura impecável na cadeira, a mão esquerda em punho fechado sobre a mesa. A mesma mão que já tremeu, um dia, por mim.

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