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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 115

Capítulo 115

Riley Black

Acordei com o cheiro de café e maresia, um perfume doce que grudou no travesseiro antes mesmo de eu abrir os olhos. O quarto estava banhado por uma luz amarela, dessas que parecem lavar o dia e prometer coisa boa. Luca estava de pé, de costas para mim, vestindo uma camiseta branca simples e uma bermuda de linho. O notebook — aquele mesmo que às vezes é um terceiro corpo entre nós — tinha sumido da mesa.

— Onde escondeu? — perguntei, meio sorriso, a voz ainda sonolenta.

Ele virou só o suficiente para me lançar um olhar preguiçoso e bonito.

— Trancado. Hoje eu sou seu.

Senti algo leve acontecer dentro do peito, um desarme. Apoiei os cotovelos no colchão e ele veio até mim, encostando a bandeja na cômoda: frutas cortadas com capricho, pães, geleia, queijo e um suco que parecia ter sido espremido por anjos — ou por um Luca exigente às seis da manhã.

— Não vai atender ninguém? — provoquei. Ele estava sério.

— Já atendi você. — Ele tocou a ponta do meu nariz com o indicador e piscou. — E você é prioridade máxima.

— Uau. Trocaram meu marido durante a noite?

— Nem brinca com isso. — Franziu a sobrancelha de novo e sorri.

Sentei devagar, mão na barriga por reflexo. Ele observou o gesto, aquele olhar instantâneo de vigilância que nasceu com o nosso bebê. Apoiou a mão grande no meu ventre como se cumprimentasse um pequeno soldado.

— Bom dia, pequeno. Ou pequena. Sua mãe vai ser sequestrada por mim o dia inteiro. — Ele sorriu curto. — Sem reféns, sem negociações.

— Isso foi o que? Um pedido de beijo?

— Foi uma ordem.

Beijou minha testa, meu nariz, minha boca. Um beijo simples, só macio. No fundo, era o que eu mais precisava.

Mesmo com seu semblante fechado, de segurança chique... Ele parecia um pouco fofo.

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Curaçao nos esperava lá fora. O céu azul indecente, o mar de um turquesa que insultava qualquer tristeza. Eu vesti um vestido leve, branco, que balançava quando eu andava; prendi o cabelo num coque despretensioso; passei protetor. Luca, claro, supervisionou a quantidade.

— Você exagerou, Luca.

— Você não vai torrar. — Conferiu meu ombro como quem inspeciona um equipamento. — Segurança sempre é bom.

Descemos. O motorista — um dos nossos, discreto — já aguardava. Notei mais dois carros à distância, sem sirene, sem bandeira. As sombras de Luca, sempre. Ele fez um sinal breve com a cabeça e os homens desapareceram de vista. O celular dele vibrou no bolso; ele olhou, apertou o botão lateral e colocou de volta.

— Não vai…

— Não.

E foi só isso. Um “não” que soou como “chega”.

É até estranho vê-lo assim.

Primeira parada: um café pé na areia, cadeiras de madeira pintadas de cores que o sol mordia. Estava cedo, a brisa levantava o guardanapo e uma senhora de sorriso largo trouxe panquecas com frutas, suco de laranja e um cappuccino com desenho de coração. Luca fingiu que não viu, mas eu vi o canto da boca dele render.

— Não conta para ninguém que eu gosto disso.

— Do cappuccino? — perguntou.

— Do coração.

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