Capítulo 117
Derrick
(Dias depois)
O silêncio dessa casa hoje me mata mais do que qualquer tiro que já levei. Caralho, a semana inteira resolvendo tudo, cuidando de soldados, da casa e de assuntos da Amercana.
O funeral acabou.
Amélia escolheu o lado errado desde o começo, super protegendo o filho errado. Jackson cavou a própria cova. É isso. Não tem poesia. Não tem consolo.
Afrouxei a gravata, joguei a jaqueta no braço do sofá e fiquei ali, afundado, ouvindo só o estalar da madeira no teto e o vento contra as janelas fechadas. O chefe voltaria hoje. O mordomo já avisou que o carro entrou na propriedade.
Tentei beber alguma coisa, mas o gosto do uísque estava mais amargo do que nunca.
Então ouvi os passos firmes, ritmados de conheço bem. Era Luca. Que me deixou como louco para manter tudo no seu devido lugar, mas dei conta. Não pode reclamar.
Ele entrou sem pedir licença. Nunca precisou. O ar na sala pareceu se encolher. A senhora cumprimentou e já subiu as escadas. Ele me olhou com aquele jeito que corta como faca — direto, sem dar espaço para respiro.
— Tudo em ordem?
— Claro.
— Já abriu o resultado do DNA? — perguntou, frio, sem nem se sentar.
Levantei os olhos, segurei o olhar dele por alguns segundos. Respirei fundo antes de responder.
— Ainda não. Eu… — passei a mão pelo rosto. — Tinha combinado de jantar com a Rúbia no dia em que o resultado chegou, mas aí tudo desmoronou. O funeral, os tiros, a viagem de vocês... não fomos.
Ele arqueou a boca num meio sorriso que nunca é de humor. É o sorriso de quem está calculando sua sentença.
— Estou pensando no castigo que vou te dar pelo vacilo quando a Emma fugiu.
Engoli seco. Essa é a parte em que qualquer um treme. Mas eu não sou “qualquer um”. Não abaixo a cabeça fácil.
— Eu entendo, chefe. — respondi firme, mas por dentro a raiva queimava. — Só pensei que cuidar de tudo ajudaria em alguma coisa.
Ele deu um passo à frente. A sombra dele tomou metade da sala.
— Então faz o seguinte: aproveita que estou em casa. Leva a Rúbia pra jantar hoje. Se der positivo — o tom foi seco, como quem dá uma ordem de guerra. — Vou agendar o casamento de vocês.
Meu peito pesou. Uma decisão que não é minha, porém eu quis para conseguir adotar a Mia. Mas ordens de Luca não se discutem, se quer acelerar, a gente acelera. Porque obedece ou acaba no mesmo buraco em que enfiaram Jackson.
— Sim, senhor. — respondi, a voz firme, mesmo que por dentro eu estivesse preocupado.
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Subi as escadas, a cada degrau tentando engolir o gosto amargo que tinha ficado na boca. Encontrei a Rúbia no quarto dela, sentada numa poltrona, embalando a Mia no colo. A cena me pegou desprevenido. Ela estava com um vestido simples, o cabelo solto, e um ar cansado, mas ainda assim havia algo nela que me travou. Uma calma diferente. Quase irreal, considerando a tempestade que a gente vive.
Apoiei o ombro no batente da porta, batendo de leve para anunciar minha presença.
— Derrick...
— Oi! O chefe mandou que a gente saia hoje. Temos um exame para abrir.

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