Capítulo 120
Rúbia
Voltei do restaurante com o gosto de "quero mais" — não só pelo que tinha acontecido lá, mas pela sensação nova que me percorria: alguém tinha me defendido, e aquele alguém era o homem ao meu lado.
Derrick andava ao meu lado como se o mundo inteiro devesse abrir passagem. Eu me sentia segura até demais; e pensei que passaria essa noite com ele.
Entramos em casa e a sala estava silenciosa, iluminada apenas pelo azul frio da tela do celular que Don Luca tinha apoiado no braço do sofá. Ele estava concentrado, os dedos voando sobre a tela como se estivesse costurando algo com imediata urgência. Quando nos viu, levantou os olhos e sorriu, curto, profissional — o sorriso de um homem que administra destinos.
— E aí? Qual foi o resultado? — ele perguntou direto, sem cerimônias.
Derrick encostou a mão no meu braço, como quem garantia que eu não sairia voando de emoção antes da hora. Respirando fundo, respondeu:
— Deu positivo. Rúbia é mesmo tia da Mia... e agora vai ser mãe também.
Aquelas palavras eram um impacto doce. Posso dizer? Um nó de alegria subiu pela garganta e quase me fez tremer. Senti o corpo todo respirar uma felicidade boba, íntima, que eu não sabia nomear direito. Luca se levantou e se aproximou, estendendo a mão como um cumprimento cerimonioso.
— Parabéns — disse, com a formalidade que sempre usava quando fazia favores que pareciam óbvios. — Vou agendar o casamento o quanto antes. Já conversei com a Riley. A casa que era da minha mãe... vai de presente para o novo casal. Vou preparar a documentação, o quanto antes.
— Eu entendi direito ou está nos dando aquela mansão? — perguntei atônita.
— Isso. É melhor vocês começarem num lugar só de vocês. Vou vender a casa do Jackson e manter a casa de campo e a de praia. Não quero vender a casa que foi da minha mãe e também não pretendo usar. Então vai ficar de presente.
— Tem certeza chefe? — Derrick perguntou.
— Tenho.
Fiquei tão feliz que precisei me segurar para não abraçá-lo como uma criança. Tentei conter o riso, a alegria, a voz desnorteada que já queria subir.
— Obrigada — murmurei, tímida, quase em reverência. Na frente do chefe e do conselheiro eu me sentia uma formiguinha, um ponto frágil num quadro onde tudo parecia gigante.
Luca assentiu e deu um passo para trás; o ar voltou a ser o mesmo de antes, pesado e competente. Quando ele se retirou, a sala ficou só nossa. Derrick olhou para mim com uma expressão que eu ainda estava aprendendo a decifrar — havia ternura, sim, mas também cálculo, uma exigência barata de quem já tinha aprendido a desconfiar do mundo.
— Vou te acompanhar até seu quarto — anunciou ele, firme.
Sorri de canto. Por dentro, uma esperança boba borbulhava: será que hoje ele teria vontade de ficar? Será que a noite seria só nossa?
Subimos as escadas juntos. A casa cheirava a café frio e madeira; tudo parecia normal, exceto pela minha cabeça que rodopiava. Quando a porta do quarto abriu, notei na cama o silêncio do espaço — a caminha de Mia vazia. Meu sorriso murchou um pouquinho.
— Acho que a pequena está dormindo em outro lugar hoje — disse, tentando não demonstrar desapontamento.
— É, alguém deve estar cuidando dela.
Derrick me observou, avaliando a expressão. Por um segundo pensei que ele fosse me atacar com beijos apaixonados — eu estava pronta para isso, preparada até a entrega. Em vez disso, ele enfiou as mãos nos bolsos e começou a falar com a calma daquele homem calculista da sala.
— Tenho uma exigência para o casamento — disse e fiquei com pouco ar.

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