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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 124

Capítulo 124

Rúbia

Seus dedos subiram pelas minhas costas em linhas firmes e desceram outra vez, afundando na minha cintura como se pudesse me manter ali para sempre. Cada subida minha era um céu breve; cada descida, um mergulho quente que me deixava trêmula.

— Isso, Rúbia… — murmurou contra minha boca, as palavras arrastadas pelo prazer. — Desse jeito.

Eu perdia a noção de tempo e espaço. A janela aberta, a cortina dançando, o sol inclinando no chão. Tudo virou cenário para o que a gente escrevia com os corpos. Quando senti que já não ia aguentar o próprio ritmo, ele me abraçou, uma braçada inteira que me colou ao peito dele. O mundo rodou mais uma vez: voltamos à cama. Derrick assumiu o controle, me deitando com cuidado, e os olhos dele — cheios de alguma coisa que eu só poderia chamar de devoção — pousaram em mim como quem diz eu estou aqui.

— Você é gostosa demais.

A frase entrou em mim ao mesmo tempo que o calor do corpo dele. Eu segurava seu rosto entre as mãos para que ele não desviasse o olhar, e ali, naquele fio de visão que não se quebrava, eu finalmente soltei a última dobra de resistência. Meu corpo respondeu num estilhaço macio, num tremor que começou pequeno e depois cresceu, como a maré que sobe e toma a praia sem pedir permissão. Ele me acompanhou, ajustando o ritmo com uma precisão que parecia leitura, e quando eu achei que ia escapar de mim mesma, Derrick me ancorou num beijo longo — desses que fazem a gente lembrar o próprio nome.

O depois foi silêncio e pulso. Ficamos um tempo só respirando, como se o quarto inteiro escutasse. A poeira da luz dançava no feixe do sol, e o meu peito ainda subia alto. Ele passou o polegar pelo meu lábio inferior e pousou a testa na minha, rindo baixo de um jeito raro, como se estivesse… leve.

— Bem-vinda à nossa casa — disse, enfim.

Sorri, de olhos fechados.

— A nossa casa — repeti, gostando do som.

Ele rolou para o lado sem me soltar e puxou o lençol por cima de nós. Deitamos de frente um para o outro, a cabeça compartilhando o mesmo travesseiro. Era estranho e bom ver aquele homem — o mesmo que falava de contratos e laudos, o mesmo que desejava com a força de uma maré — olhando para mim como se eu fosse uma resposta que ele procurava há muito tempo.

— Sobre o exame… — arrisquei, num fio. — Eu fiz sem reclamar. Não vá se arrepender de tudo agora.

— Eu não vou a lugar nenhum — respondeu, simples, como quem fala da gravidade. — E você também não. — Passou a mão no meu cabelo, arrumando uma mecha atrás da orelha. — A gente só está fazendo direito o que já é nosso.

Assenti. Havia uma paz nova nas palavras dele. Toquei o maxilar de Derrick com a ponta dos dedos, o desenho firme, a barba por fazer que arranhava de leve. Ele segurou minha mão e a levou aos lábios, um beijo calmo, tão diferente do homem feroz de minutos antes que eu ri baixinho.

— O que foi? — ele perguntou, sem soltar meus dedos.

— É que você tem dois modos — brinquei. — O que devora e o que cuida. Os dois me deixam tonta.

— Então fica tonta comigo — devolveu, com um humor macio.

Quando menos esperei, Derrick enfiou sua mão no meio das minhas pernas.

— Você é macia. Tem a boceta gordinha, eu adoro.

— Você não cansa? — balançou a cabeça.

— Vou mexer um pouco aqui só pra te ouvir gemer pra mim.

Então ele encontrou meu clitóris e seu dedo misturou com seu gozo.

— Sente deslizar...

Gemi com o toque preciso, macio e excitante. Derrick tem uma habilidade incrível.

Ficava me olhando e dizendo pra gemer, mas o difícil era conseguir parar de gemer com aquele movimento. Ainda mais depois de tão inchada e sensível. Cheia de esperma dele.

Quando gozei, Derrick subiu sobre mim e gozou de novo, até cairmos sobre o colchão, exaustos. Ele me ajudou a me limpar.

.

.

Ficamos um pouco assim, só existindo. O vento entrou outra vez, preguiçoso, e eu pensei na Mia. A imagem da pequena rindo, balançando as perninhas, trouxe um calor diferente no peito.

— Você reparou que, desde o começo, foi por causa da Mia que tudo mudou? — falei, quase para mim.

— Eu reparei que foi por causa dela que eu te vi direito — respondeu sério. — Mas é por sua causa que eu não quero mais te tirar da minha vida.

— A Riley disse que cuida de tudo, se eu quiser.

— Você quer? — ele perguntou, sentado agora, os cotovelos nos joelhos, a atenção toda em mim.

— Eu quero. — Mordi o lábio, pensando. — Mas quero algo nosso. Não grandioso. Não… de revista.

— Então vai ser do nosso jeito — concordou. — E sem convidados que eu não suporto.

Voltei para a cama, sentei de frente para ele, minhas pernas dobradas. A camisa caiu um pouco no ombro e, sem aviso, ele se inclinou para arrumar. Os dedos dele tocaram minha clavícula, e minha pele respondeu como se fosse a primeira vez. O jeito como ele me olhou, naquele gesto pequeno, trouxe de volta um calor doce, um convite inteiro.

— Vem cá — sussurrou.

E eu fui. Não com a urgência de antes, mas com a calma de quem já sabe o caminho. Ele me recebeu no colo, e dessa vez fomos lentos. Os beijos vieram longos, com pausas para a gente sorrir no meio. As mãos exploraram menos o território e mais o significado: um toque no rosto, outro no cabelo, a palma aberta descendo pelas minhas costas numa carícia que parecia dizer eu cheguei. O corpo reconheceu o corpo e, quando nos encontramos de novo, foi diferente: não precisávamos provar nada a ninguém, só gravar a nossa marca sobre aquela tarde.

Eu não sei quanto tempo ficamos entre beijos e suspiros, mas sei que, quando deitamos outra vez, o céu já tinha virado um quadro alaranjado além da janela. O vento, agora mais frio, trouxe um arrepio bom. Derrick puxou o cobertor até a minha cintura e me abraçou pelas costas, encaixando o queixo no meu ombro.

— Amanhã a gente passa na obra do jardim, decide as coisas da cerimônia e depois busca a Mia. Estou de folga essa semana pra organizar tudo e você também — ele planejou, sempre prático.

— Amanhã — repeti, gostando de ter um amanhã que não me assustava. — Derrick… — chamei baixinho, já com o sono me puxando.

— Hum?

— Obrigada por hoje. Não só pelo… — gesticulei com a mão, sem terminar. — Obrigada por me olhar como se eu coubesse aqui.

Ele beijou meu ombro, simples.

— Você não cabe aqui, Rúbia. — Pausou, e eu prendi a respiração. — Você é o aqui.

Eu fechei os olhos com a certeza boba de quem ganhou um presente inesperado.

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