Capítulo 125
Riley Black
Depois do almoço em "família", senti que meu peito precisava de espaço. A mesa carregada de olhares, insinuações e palavras cortantes parecia ter sugado meu ar. Respirei fundo, mas não adiantava: ainda havia um nó me puxando por dentro.
Olhei no relógio: 13h30. Perfeito. Se eu quisesse colocar a cabeça em ordem, nada melhor do que me afundar no que sei fazer de melhor — trabalho.
Algumas pendências ainda me esperavam, e havia um detalhe que não me saía da mente: um valor estranho que não batia nas movimentações da empresa. Eu precisava de silêncio e foco.
Encontrei Luca no corredor, afastado daquela mulher. Ele ajeitava o paletó quando me aproximei.
— Preciso sair por algumas horas — falei, baixa mas firme. — Tem algo que eu acabei esquecendo de mencionar… um vazamento financeiro em nome de Erasmo Fiore. Sabe quem é?
— Erasmo Fiore? Não. Não lembro desse nome.
— No início do mês passado, houve uma transferência feita pra esse homem, mas não está ligada a nada da empresa. Na verdade, faz anos que ele recebe de alguém e não tem nenhuma explicação. Estou intrigada. E ainda mais que pela lógica está nos dias dele receber novamente.
O olhar de Luca se estreitou. Eu já conhecia aquele silêncio. Ele não desperdiçava palavras quando algo realmente chamava sua atenção.
— Certo — ele respondeu por fim. — Verifique e me mantenha informado. Isso é bem estranho.
Assenti. Era só o que eu precisava ouvir. Luca não liga quando digo que preciso sair. Pensei que seria mais complicado quando me casei.
Peguei as pastas e desci os degraus em direção ao carro da casa, onde o motorista já aguardava. Percebi Luca também vindo na mesma direção.
Foi então que Tamy surgiu. Como um perfume enjoativo que insiste em grudar.
Ela enlaçou o braço no de Luca, sem um pingo de pudor.
— Luca, querido… você pode me levar até o hospital?
Segurei o ar, ajeitando uma mecha de cabelo só para disfarçar. Queria ouvir a resposta dele.
— Dá sim — respondeu ele, simples, quase natural. — Eu quero mesmo ver seu pai e é perto de onde preciso ir depois.
Um gosto amargo subiu pela minha garganta. Não reagi, não discuti, não me rebaixaria ao ponto de tirar aquela mulher do lado do meu marido. Apenas entrei no carro, mantendo o queixo erguido. Se havia uma guerra ali, eu não seria a que se mostra ferida primeiro.
A viagem até a empresa foi silenciosa. Mas, dentro de mim, cada quilômetro era um lembrete: eu precisava manter meus olhos bem abertos com essa mulher.

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