Capítulo 128
Luca Black
(Esse capítulo contém cenas fortes e com gatilhos. Estupro)
Trouxe o velho amarrado como se fosse um saco de papel velho e sujo, o rosto inchado já pelo chute que um de nós tinha dado lá no escritório. Os soldados abriram a porta da sala principal e o empurraram para o centro, correntes fazendo um som seco que cortou o murmúrio da sala.
Fitei o velho. O rosto dele, enrugado como papel queimado, tinha a insolência de quem acredita que dinheiro e mentira compram tempo. Hoje, porém, não havia dinheiro capaz de comprar silêncio. E muito menos salvar sua vida.
Um dos soldados alinhou umas correntes em torno do corpo do velho, preso em pé por pequenos grilhões no chão. O homem cambaleou, olhos arregalados, tentando buscar qualquer fuga no ar. Eu me aproximei com passos calmos, cada um um aviso.
— Sabe — comecei, e a voz manteve a calma que corta — , sempre admirei homens que fazem jogo sujo… até o momento em que me provam que são apenas covardes com cheque no banco. Hoje vamos ver o que sobrou do seu sangue, velho.
Dei um tapa no rosto dele — seco, rápido. O som do couro batendo no rosto ecoou e algumas gotas de saliva voaram. Olhei para os meus, esperando que entendessem.
— Você falou muito — continuei. — Disse que tinha feito um homem pagar no seu lugar. Disse que se algo acontecesse, alguém viria. Que arrogância pensar que tinha carta branca pra tudo.
Ele tentou falar — gaguejou, a voz já saindo como vento de quem evitou queimar muitas vezes.
— Meu filho... vai... contar tudo — murmurou, tentando recuperar autoridade que nunca teve.
Ri, devagar, e senti a sala inteira inclinar pra ouvir.
— Ah, é? Seu herdeiro de moral? — disse, zombando. — Cala a boca, velho mochimbento. Quem manda aqui sou eu, porra!
Aproximei-me ainda mais, rosto a centímetros do dele. Queria ver o medo abrindo caminho pela pele.
— Você sabe o que acontece com quem se esconde atrás de outros? — provoquei. — A gente arruma uma maneira de manter suas redes limpas. Nós limpamos sujeira — e eu acentuei a palavra com o olhar — sem deixar sujeira por onde passa.
Os soldados riram baixo. Eu podia ver nos olhos do velho o cálculo: o que ele havia ganho com a mentira, o que havia perdido com a chegada. Quando eu passei a mão na cintura e dei um puxão nas calças dele (um gesto quase teatral), a legítima surpresa fez o resto.
A barra da calça rasgou num som embaraçoso e o velho ficou com a calça semi-desprendida, a cueca aparecendo como quem expõe uma falha de fábrica por pau minúsculo. A sala explodiu numa risada curta, quase infantil.
— Nossa — disse eu, rindo — Não sei como conseguiu engravidar minha mãe se mal tem pinto. Com essa mixaria aí é por isso que precisava forçar mulheres. — o velho corou, já sem fôlego para protestar.
— Seu filho da puta!
— Vamos cortar essa cueca pra ter certeza. Porque se não tem pau que funcione. Vai dar o rabo. Porque na Amercana é assim que funciona. Estupradores, são estuprados.
Todo mundo riu. Esse riso era o de quem vê a queda final de um boneco hipócrita. Não precisei de palavras maiores. Aquele tipo de humilhação funciona como gelo fino: quebra de dentro pra fora.
— ME TIRE DAQUI! EU NÃO VOU MAIS PEDIR DINHEIRO!
O velho começou a gritar, ainda tentando recuperar a voz. Ele berrava sobre o filho, sobre quem viria, sobre quem o protegeria, depois mudava de ideia. Eu deixei que falasse até se perder em si mesmo, e então o interrompi.
— Fala mais — disse, cerimonial. — Quero saber quem mais vai aparecer pra te proteger. Pra eu saber qual rua explodir depois.
— Deixem ele em paz!
— Olha, vamos fazer o seguinte. Vou te dar uma chance. Se essa minhoquinha no meio das suas pernas levantar e dar cinco centímetros... Eu te livro de dar o cu pro meu soldado.
— VOCÊ TÁ LOUCO! ME TIRA DAQUI!
— Ah, que pena. A minhoquinha tá dopada. Não levanta. Vai o cu mesmo.
Enquanto ele gritava, os soldados foram buscá-lo com certa brutalidade. Um deles trouxe um conhecido meu que, por hábito, garante que vinganças do tipo “estuprador” sejam tratadas com o rigor que merecem — um grandalhão com mãos como pás, face sem misericórdia, desfigurada pelo fogo. Ele ficou alguns passos atrás de mim, grande e imóvel como uma rocha.

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