Capítulo 129
Riley
Eu entrei no carro com ele. O porta-malas fechado, o silêncio do caminho cobrando algo que nenhuma palavra parecia capaz de pagar. Luca dirigia com uma calma diferente — e eu sentei ao lado, a mão pousada no meu colo.
Ele não olhou para mim de imediato. Só quando o trânsito abriu e a cidade pareceu aceitar que a gente existia, virou o rosto num movimento curto, avaliador.
O carro seguia firme pela estrada molhada. Eu olhava o perfil do Luca — frio, duro, inabalável —, mas sabia que por dentro havia algo que ele não deixava ninguém ver. E eu não aguentava mais segurar minhas perguntas.
Virei o rosto pra ele, sem rodeios:
— Me diz uma coisa, Luca. Como você se sentiu ao descobrir que aquele verme do Erasmo estava vivo até agora? Vivo… e ainda por cima ameaçando sua mãe como se tivesse algum poder sobre ela?
Ele não respondeu de imediato. O maxilar contraiu, a mão apertou o volante com mais força. Finalmente, a voz grave cortou o ar:
— Raiva. — Foi direto, cru. — Raiva por ele ainda respirar quando deveria estar apodrecendo no chão há anos. Raiva por ter achado que podia tocar na minha mãe como se fosse dono de alguma coisa. Tirou não só o dinheiro, mas o sono, a alegria.
Assenti em silêncio, sentindo a fúria dele vibrar no espaço pequeno do carro. Mas eu precisava ir além.
— E quanto ao que você ouviu sobre o Jackson... — engoli seco, escolhendo as palavras — que ele é só irmão de mãe? Que, apesar de terem sido gerados na mesma barriga, não partilham do mesmo sangue? Isso não mexeu mais com você?
Ele soltou uma risada curta, sem humor.
— Jackson continua sendo meu irmão de verdade. É uma cicatriz do passado. — Os olhos escuros desviaram por um instante, duros. — O que me revolta não é isso. É terem deixado que eu crescesse acreditando em uma mentira.
Aquela frase me atravessou. Vi no olhar dele a mistura de cálculo e ressentimento.
— Então você se sente traído? — insisti.
Ele respirou fundo, os ombros pesados, mas não se desfez.
— Traído, sim. Mas não vivo de ressentimento, Riley. Eu guardo. Espero. Uso a verdade no tempo certo. Hoje foi esse tempo.
A calma dele me assustava tanto quanto me fascinava. Enquanto ele falava, eu percebia que cada palavra era uma estratégia, não um desabafo. E ainda assim, havia uma dor escondida ali, mesmo que ele jamais admitisse.
Toquei seu peito, sentindo a respiração firme. É uma ideia cresceu dentro de mim.
— Eu sei o que pode te acalmar de verdade...
Ele desviou o olhar da estrada só por um segundo, um sorriso de canto aparecendo. Segurou minha mão e a guiou para baixo, sobre o colo dele. O volume duro sob a calça respondeu antes mesmo das palavras.
— É mesmo? — a voz saiu rouca, maliciosa.
Sorri, apertando de leve.
— Vou dar um jeito nisso. Que tal relaxar um pouco?
Ele riu baixo, carregado de desejo.
— Eu sei que vai. Você tira de mim qualquer estresse.
O clima no carro mudou. A raiva e a tensão da noite deram lugar a uma eletricidade diferente, íntima. Eu já estava ansiosa por chegar em casa. Mas, ao abrirmos a porta, a chama esfriou de repente: Tamy estava lá, com os olhos vermelhos e lágrimas correndo pelo rosto.
Puta merda! Que mulher chata.
— Meu pai piorou Luca... — disse, com a voz embargada.
Cruzei os braços, a irritação subindo.
— Ora, não entendi. Seu pai piora e, em vez de estar com ele, você vem passear na casa de homem casado?
Ela arfou, chocada, e correu os olhos para Luca.
— Luca, você ouviu isso? Ela me odeia. Deveria explicar as coisas. Não é porque tivemos algo no passado que vai acontecer de novo!
Ele foi direto, cortante:
— Tamy, ponha-se no seu lugar. Alguém te perguntou alguma coisa?
Eu não recuei.

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