Capítulo 134
Riley Black
O sábado chegou com aquele silêncio curioso que antecede dias grandes. Luca acordou cedo, como sempre, mas não com a pressa das segundas-feiras cheias de compromissos. Hoje ele só ajeitou a gravata diante do espelho, verificou o relógio e estendeu a mão para mim. Eu já estava pronta para o casamento da Rúbia — um vestido que combinava mais com a função de anfitriã do que de convidada. Ajeitei meu cabelo com a outra mão e segurei a dele.
— Está mesmo tranquilo com isso? — perguntei, quando o carro já deslizava pela rua. — A cerimônia ser no jardim da casa da sua mãe… pensei que poderia trazer lembranças tristes.
Ele manteve o olhar fixo na frente. O maxilar duro, mas não tenso.
— Está tudo bem. Lembranças sempre vão existir, sendo boas ou ruins — Respondeu baixo. — Mas hoje não é sobre mim. É o casamento do meu amigo e Consigliere. Então vamos festejar.
— Vamos...
Deixei o assunto morrer ali. A casa da mãe dele tinha voltado a respirar depois de tanto tempo, e o jardim, que parecia ter dormido anos inteiros, agora florescia como se tivesse sido acordado por ordem. Fileiras de cadeiras brancas, o arco montado de rosas claras, e uma passarela simples de pétalas.
O cheiro das flores se misturava ao de terra fresca. Era poético de um jeito que Derrick jamais admitiria, mas combinava com Rúbia — e com a vida nova que eles estavam tentando construir.
No canto, a pequena Mia balançava os bracinhos. Eu me encarreguei dela desde cedo. Rúbia quis se arrumar com calma, sem correr para atender a bebê entre uma maquiagem e outra. Então ficou comigo. Ajeitei o laço branco no cabelo dela e sussurrei:
— Sua mãe vai ficar linda, Mia. E você vai ser a estrela da plateia.
A resposta dela foi um gritinho e uma lambida no meu queixo. Luca riu baixo ao ver.
— Está feita a nova chefe da família. — murmurou. — Ninguém resiste a esse sorriso.
Derrick aparecia de vez em quando, como um lobo rondando a cria. Chegava perto, ajeitava a chupeta, conferia a temperatura do vento, e sumia de novo para resolver detalhes da cerimônia. Eu percebia que ele não largava o hábito de vigiar tudo, mas em cada olhar que dava para Mia, havia algo que nenhum treino militar ensina: afeto.
O juiz chegou acompanhado de dois soldados. Não era qualquer juiz, claro. Era um daqueles que conhece os códigos da máfia, que já celebrou uniões em silêncio, fora dos cartórios comuns, e sabe muito bem o que significa dar a bênção diante de homens armados e famílias que vivem de códigos de honra.
Quando Rúbia apareceu, o jardim segurou o ar. O vestido era simples, branco, de tecido leve que se movia junto com ela. Sem véu, sem exageros. Apenas ela. Derrick endireitou os ombros, e vi algo raro: um brilho de nervosismo. Ele não disfarçou — talvez nem quisesse.
Ela caminhou devagar, e cada passo parecia um lembrete: não importa o passado, não importa os caminhos tortos, existe sempre um lugar para recomeçar.
Mia bateu palminhas no meu colo.
— Olha só, ela sabe que a mãe está linda. — murmurei para Luca, que não tirava os olhos do casal.
O juiz pigarreou e iniciou:
— Estamos reunidos não apenas como testemunhas, mas como família. A máfia não reconhece papéis sem sangue, mas reconhece promessas seladas diante de quem importa.
Rúbia segurou a mão de Derrick, e os dois se encararam como se ninguém mais estivesse ali. Ele falava primeiro, a voz firme, mas baixa o bastante para parecer segredo.
— Eu não sou homem de discursos. Mas sei lutar pelo que é meu. E você é, Rúbia. Você e ela — apontou de leve para Mia. — Se o mundo quiser tirar de mim, eu quebro o mundo antes.
Ela sorriu, apertando mais forte a mão dele.

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