Capítulo 136
Riley Black
— Nunca. — A resposta de Luca veio firme, sem margem para dúvida. — Eu nunca conversei nada pessoal nosso com Tamy. Nem com ninguém. — Ele inclinou o rosto, aproximou-se do meu ouvido e sussurrou, quase sem som: — Se você está insinuando que eu falei do… hímen… eu não disse.
Senti o frio bater no estômago.
— Então como ela sabe?
Luca sustentou meu olhar por um tempo que pareceu longo demais para o jardim lotado.
— Vou procurar nas câmeras. — A frase foi um compromisso. — Você comentou sobre isso com alguém?
Engoli em seco.
— Com a Rúbia. Mas eu não acho que ela faria isso.
— Então provavelmente Tamy ouviu. — Ele recuou um passo, calculando.
— Ou teve acesso às imagens das câmeras. — retruquei, o pensamento espremendo possibilidades.
Luca franziu o cenho.
— Não. Acho que não é isso. Como ela teria acesso? E por quê?
— É bom descobrir, Luca. — ajustei o vestido, a cabeça ainda pulsando. — Não que vá mudar alguma coisa, porque ela já sabe. Mas eu quero ter certeza.
— Vou resolver. — Ele passou o polegar de leve no contorno da minha cintura, gesto curto, prático.
— Hoje não. Mas vou resolver.
— Ok.
Nos aproximamos de Derrick com Mia, e eu agradeci com o olhar; ele entendeu e apenas assentiu, apertando a menina contra o peito por um segundo antes de devolvê-la a mim.
— Parabéns, cara. — Luca disse a ele, de modo sincero.
Mordi o lábio com raiva. Pensei no tempo até o bebê nascer — longo demais para uma mente que não se cala e também para um homem casado esperar.
Pensei no que já tinha tentado. Pensei no que deveria tentar. Luca não aceitaria nada arriscado enquanto eu estivesse grávida; eu sabia, e no fundo respeitava. Mas o desejo de ser “normal”, de entregar ao meu marido o que a cabeça insiste em chamar de “o que devo”, roçava a pele como uma insistência.
Fui para o banho. Deixei a água cair mais quente e mais perfumada do que o normal, como se pudesse lavar não só o suor do dia, mas a humilhação, a raiva, as palavras venenosas. Lavei o corpo devagar, sentindo cada parte como um território que me pertence. Passei um óleo leve, nada que escorregasse; só o suficiente para a pele lembrar que gosta de ser tocada.
Vesti uma camisola de seda com liga — a que eu comprei e quase nunca usei. Ajustei as alças, penteei o cabelo com calma quase cerimonial, e sentei na beira da cama com o coração batendo forte. Eu não queria provar nada a ninguém. Eu queria, sim, calar uma voz interna que disse que eu era “menos” por causa de uma película teimosa. Mas, mais do que isso, eu queria cuidar dele — do meu homem — e lembrar a mim mesma que nós não somos definidos por nenhuma palavra que não escolhemos.
A porta do banheiro do quarto abriu com o vapor, e Luca entrou, uma toalha na cintura, ainda pingando. Ele me olhou de alto a baixo e, no canto dos lábios, acendeu-se um sorriso pequeno — o tipo de sorriso que só aparece quando ele compreende uma decisão antes mesmo de eu dizê-la.
— Gostei da performance. Ficou muito sexy assim. — enxugou os cabelos com a toalha enquanto me olhava.
— Deita aqui. — eu disse, firme, contra qualquer vacilo. — Hoje sou eu quem vai cuidar de você.
A toalha da sua cintura caiu.
Mal sabia ele o que eu faria...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Roubada no altar pelo chefe da Máfia