Capítulo 137
Riley Black
A força dele sempre me impressiona, mas naquela hora o que mais me atingiu foi o silêncio com que ele me obedeceu.
Foi como se ele soubesse o que eu estava planejando.
Deitou sem uma palavra, um sorriso cínico, as mãos atrás da cabeça, os olhos em mim como quem confia sem contratos. Dei dois passos e subi na cama, joelhos a cada lado do quadril dele, mantendo distância suficiente para que eu fizesse o que tinha vontade.
— Cabelos molhados... Sabe que isso é sexy, não sabe? — seu sorriso agora foi mais aberto.
— Se você diz... Eu acredito. — coloquei as mãos sobre seus ombros. Senti quando ele mordeu de leve um dos meus seios.
Toquei-o por fora primeiro — ombros, peito, mandíbula. Eu queria mapear com as mãos o homem que me escolheu, que defende meu nome como muralha. Passei os dedos devagar, senti o músculo contrair-se sob a pele. Baixei o rosto, beijei perto do ouvido e deixei o hálito falar antes da boca.
— Fica comigo. — sussurrei. — E não faz perguntas.
— Não tenho nenhuma. Estou bem ocupado — sussurrou. Enfiei a mão por baixo, direto no seu pau.
— Você jura?
— Eu juro. — Acariciei lentamente apertando com certa força.
— Não ouse dizer mais nada.
— Caralho...
— É... Caralho pode.
Luca fechou os olhos por um instante; quando abriu, havia aquele brilho de posse que me deixa mole. Ele iria segurar o mundo se ele tentasse cair sobre mim. E eu segurei a certeza disso como se fosse uma alça.
Aproximei mais, explorei com a boca caminhos que eu conheço bem, mas que naquela noite pareciam novos —principalmente pela minha intenção. Não havia pressa; havia propósito.
Ouvi o som baixo que ele faz quando gosta sem conceder, a respiração que aprofunda e me puxa junto. As mãos dele vieram à minha cintura, firmes, mas obedientes ao meu comando.
Movi a mão mais rápido enquanto beijava seu peito.
— Devagar — ele disse.
Assenti. Toquei onde sei que ele cede. Roubei mais um som. Vi a expressão dele mudar — e isso sempre foi meu norte: ler o rosto, a tensão no maxilar, o arquejo mínimo. Fui costurando prazer nele com paciência, com a crueldade doce de quem quer levá-lo até o limite e, só então, decidir se dá ou não.
Eu queria ele inteiro, assim como ele também me queria.
Desci meu corpo até seu pau. Com a minha boca o provoquei. Enquanto chupava olhava nos olhos dele e o via se contorcer de tesão.
Luca soltou alguns rosnados. Pressionei os lábios, desci até o final o deixando encostar na garganta.
Luca se ergueu um pouco, a mão espalmada na minha nuca.
— Riley…
— Eu sei. Você está bem excitado, não está?
Ele pegou o óleo na penteadeira e deixou ao alcance, um gesto de disponibilidade, não de pressa. Eu sorri com o canto da boca.
— Coloca seu cuzinho aqui pra mim, vai...
A parte de mim que queria provar algo cutucou. Não era isso que eu daria hoje. Eu sabia dos riscos, mas faria mesmo assim.
Bastava um impulso errado, um atalho perigoso, e eu cruzaria uma linha que, grávida, eu não deveria cruzar. Por um segundo a tentação me arrastou:
“hoje, agora, resolve de uma vez”.
A adrenalina do jardim, as palavras daquela mal amada, ainda pulsava na minha pele; eu poderia transformar coragem em imprudência.
— O que foi? — Luca percebeu. Ele sempre percebe.
Passei o óleo na parte da frente. Seria eu a colocar limites.
Os olhos dele me seguraram no lugar antes do gesto.
— Não. — disse, baixo, definitivo. — Eu não deixo você se machucar. Porque está fazendo isso?
— Prometeu não fazer perguntas.
Eu respirei. A mão dele subiu da minha cintura para as minhas costas, e eu cedi o peso, pousando o rosto no pescoço dele. Ele beijou meu cabelo. O corpo dele ainda gritava por mim; o meu, por ele. E, mesmo assim, havia ali um centro — um “não” por amor que valia mais do que qualquer prova.
— Eu só… — minha voz falhou. — Eu não quero virar piada. Não quero que riam de mim, Luca. Eu quero ser… normal. Quero sentir o prazer que outras mulheres sentem.
Ele soltou um riso curto, sem humor.
— Normal não existe. — As palavras saíram ásperas e amáveis ao mesmo tempo. — Existe você. E você é minha. Eu não vou te medir por dor, por membrana, por fofoqueira nenhuma. Quem tentar, eu calo.
Fechei os olhos e assentiu-se dentro de mim uma paz teimosa. O desejo não foi embora; ele mudou de forma, mais lento, mais nosso.
— Só me deixa tentar... E sem perguntas...
Luca inverteu as mãos, guiando meu quadril com cuidado, oferecendo alternativas que não encostavam naquilo que não podia ser forçado.
— Não é aí que eu quero Luca. Não hoje.
As bocas se encontraram, e quando ele pensou que eu cederia, arrumei seu pau no lugar certo e deixei acontecer.
O corpo dele me recebeu como território conhecido.
— Caralho! Como você é gostosa... — ele disse sem pudor.
Senti dor, mas continuei.
O calor subiu e nos envolveu. Eu o conduzi — e fui conduzida — sem ferir o que importava. Devagar, porém até o final.
— Estou. Acho que dessa vez foi. Terminou de romper.
— Caramba, nem acredito.
— Acredite. Vamos esperar mais um dia e faremos de novo.
— Um dia? Tipo vinte e quatro horas? — olhou no relógio de pulso e ri. — Vou marcar o horário.
— Seu bobo, é brincadeira.
— Ainda bem. Não sei se consigo esperar vinte e quatro horas.
— Não está doendo. Amanhã cedo podemos repetir a dose...
— Com certeza.
Relaxei no seu corpo. Então me chamou:
— Amanhã eu vejo as câmeras. Falo com o pessoal do som também. Se Tamy ouviu porque alguém deixou porta aberta, eu quero saber. Se alguém falou o que não devia, também. Mas nada disso muda o que a gente é aqui.
— E se eu quiser resolver… — comecei.
— Você resolve comigo. — Ele me interrompeu como quem sela um contrato. — E depois que o bebê nascer, a gente vai no melhor médico que existe, você escolhe. Se precisar de procedimento, faz. Se não precisar, melhor ainda. Mas ninguém te pressiona por nada. Nem eu. Nunca.
.
O mundo do lado de fora, com suas palavras venenosas, ficou do outro lado da porta.
.
Fiquei quieta, guardando cada palavra.
— Eu te amo. — saiu sem cerimônia.
Luca não é de responder com frases — ele responde com presença. Me apertou contra si, virou o rosto e mordeu de leve meu ombro, como quem assina o que já está escrito. E foi o suficiente.
— Eu também te amo Riley... — então fui surpreendida de novo com ele.
Apaguei o abajur. O quarto ficou no meio-escuro de quem pode descansar. Antes de dormir, uma última decisão: Tamy não sairia impune. Eu não transformaria a festa de Rúbia em trincheira, mas a humilhação pública tinha preço. O nome da minha família não é praça. Ela vai pagar.
— Luca. — chamei, já entre o sono e a vigília.
— Hum.
— Quando você for ver as câmeras, pede também pra revisar quem tem acesso. Alguém está brincando com o que não é brinquedo.
— Eu sei. — A mão dele pesou quente na minha cintura.
Sorri no escuro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Roubada no altar pelo chefe da Máfia