Capítulo 138
Luca Black
Acordei antes do sol. O quarto estava silencioso, e o corpo dela ainda colado ao meu me dava a estranha sensação de que tudo podia ser simples. Não era. Nunca é.
Passei a mão pelo rosto, respirei fundo. Eu não sabia se estava mais surpreso com a atitude dela na noite passada ou comigo mesmo. Eu disse que a amava. Eu, Luca Black, que aprendi desde cedo que amar era abrir brechas para perder. E ainda assim, saiu. Natural. Verdadeiro. A primeira vez que amei de verdade uma mulher — e agora não era mais só palavra. Era real.
Olhei para ela. Riley dormia, tranquila, com aquele jeito que só ela tem de transformar até as feridas em descanso. Eu não quis acordá-la. Deixei um beijo no cabelo dela e levantei. Precisava confirmar algo.
Desci em silêncio, os corredores ainda cheiravam a noite passada. Encontrei um dos meus homens de confiança, o encarregado das câmeras.
— Preciso das imagens dessa semana. — falei seco.
Ele me olhou estranho, como se a pergunta fosse maior do que deveria.
— Chefe… posso perguntar o motivo?
Meu sangue ferveu na hora. Cruzei os braços, avancei um passo.
— Eu não preciso de motivos pra ver o que acontece na minha casa. Está me escondendo alguma coisa, soldado? — minha voz saiu baixa, mas cheia de ameaça.
— Não, não, claro que não. É que… se eu soubesse exatamente o que o senhor queria, seria mais fácil de encontrar. Só isso. Só quero ajudar, chefe.
Estreitei os olhos. Odeio quando tentam justificar antes de eu pedir.
— Quem mais tem acesso às imagens?
— Só eu, chefe. — ele engoliu seco. — Por isso digo, se quiser alguma coisa específica…
— Cala a boca e me mostra o que pedi — cortei.
Ele correu para abrir os arquivos. Eu fiquei de pé, braços cruzados, a mandíbula dura.
As imagens começaram a passar. Primeiro nada demais: Riley conversando com Rúbia, os soldados passando pelo jardim, movimentos normais da casa. Então, numa sequência, vi Tamy. O dia em que veio almoçar aqui.
Riley falava comigo na sala, e no fundo da câmera apareceu Tamy soltando meu soldado de um abraço rápido. Meu soldado. O mesmo que agora mexia nervoso no teclado.
Conveniente, não?
Fingi que não vi. Continuei olhando. Mas guardei o detalhe como quem guarda pólvora.
Segui as imagens, e vi Riley conversando de novo com Rúbia, nitidamente preocupada. Caramba… ela estava tão inquieta com aquilo do hímem. Até tinha falado sobre sua insegurança com Rúbia.
— Eu… eu gosto dela, senhor. Ela pediu pra ver as imagens, eu… eu só quis agradar. Eu juro, não foi por mal!
— Por que ela queria as imagens? — minha voz foi uma lâmina.
— Eu não sei! — ele tremeu. — Eu juro que não sei! Ela só pediu, disse que não podia falar, que era importante. Eu não queria perder ela… eu imploro pela minha vida, senhor!
Me aproximei devagar, a arma firme, fria, quase encostada na pele dele.
— Você traiu a sua lealdade por uma mulher que nem carrega teu sobrenome. Implora mais um pouco, talvez convença alguém. Mas não a mim.
Os olhos dele encheram de lágrimas, mas não havia retorno. Apertei o gatilho. O estampido ecoou pelo jardim. O corpo caiu mole na grama molhada.
Guardei a arma no coldre e respirei fundo. O cheiro de pólvora e sangue se misturou ao ar da manhã.
Eu sabia, com a mesma clareza com que sabia o que sentia por Riley, que havia algo maior por trás disso. Tamy não teria feito esse movimento apenas por inveja ou vontade de prejudicar Riley. Não era só vaidade de mulher magoada. Havia outro motivo, outro interesse que eu ainda não enxergava.
Passei a mão pela nuca, endureci o maxilar e voltei para dentro.
— Livrem-se do corpo lá nos fundos. — Ordenei a dois soldados que faziam a ronda. Eles correram imediatamente, espantados.
Alguma coisa estava acontecendo. E quem mexe com Riley mexe comigo. Tamy não perde por esperar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Roubada no altar pelo chefe da Máfia