Capítulo 140
Luca Black
Entrei na casa de Tamyres como se fosse um dia comum.
— Luca! Que bom que veio.
Ela me recebeu com aquele sorriso de sempre, afiado. Vestida simples demais para quem vive de olhares, gesticulou com a taça que segurava, como se já soubesse que eu vinha. Atravessei a sala.
— Você sabia que eu viria — falei, a voz baixa, sem cerimônia ao me aproximar. Toquei a garrafa sobre a mesa e a observei com a mesma frieza que uso para montar um plano.
— Não sabia. Sabe que gosto de um bom vinho seco. Mas o que te trás aqui, hoje? A que devo a honra da sua presença?
Fui direto:
— Como você sabia de coisas íntimas da minha mulher? Faz barraco ontem e sabia de coisas demais.
Ela deu de ombros, tirou o salto com naturalidade e caminhou na minha direção. O perfume dela era daqueles que ficam — chegava a provocar náusea.
— Tenho meus meios — disse, com suficência. — Não é segredo pra você que nunca te esqueci. E que sempre detestei a mulher que você escolheu pra casar. Por mais que não goste do que eu falei dela, eu não menti.
O sangue subiu.
— Não ouse falar da Riley. — cortei, com a voz mais alta — Você sabe o que acontece quando alguém mexe com a minha família.
Ela sorriu, mordaz.
— Desculpa, mas sua mulher é insuportável. Não tem jeito. Sempre achei que você poderia escolher melhor. Aliás, deveria ter me escolhido desde o início. Foi lá roubar a mulher do seu irmão sem necessidade.
Fiz um movimento com a mão, pegando a garrafa. Pronto para quebrar na cabeça dela de raiva.
Nesse momento o meu celular vibrou no bolso, demorei a atender. Atendi no automático, enxergando o nome dela na tela antes de ouvir a voz: Riley. O som da alegria na linha me atravessou — ela contava, animada, com aquele riso que me desfaz por dentro, sobre o bebê ter mexido. Precisei deixar esse momento pra depois.
Dei uma olhada em Tamy. Ela me observava com uma mistura de curiosidade e triunfo ao fazer Riley ouvir que eu estava aqui com ela.
Assim que desliguei, desculpas não cabiam mais.
— Cala a boca e diz por que você quis as imagens da minha casa? Com quem você falou sobre isso? — ergui a garrafa levemente.
Ela sorriu, divertida. Levantou os braços, como quem mostra que não tem nada a esconder.
— Eu só queria motivos pra tirar ela do caminho. Mostrar que a mulher que você escolheu não é tão perfeita quanto todo mundo pensa. Você sabe como é… — ela encolheu os ombros.
Minha paciência terminou ali. Segurei seu braço com força. A expressão dela mudou.
— Quem da sua família, Tamy? Quem te pediu? Foi seu pai?
Ela balançou a cabeça.
— Não fala do meu pai, Luca. Ele está doente.
Ela percebeu a mudança de ritmo no meu corpo. O sorriso tremeu. Foi quando perdi a compostura de vez.
Em um movimento rápido, tomei-a pelos dois braços e a arrastei para o centro da sala. O sopro quente dela bateu no meu rosto. Segurei-a erguida pelo pescoço e grudei na parede. A mão que antes segurava a taça buscou o colar no pescoço. Quando finalmente a ergui do chão pelos ombros, senti o couro da jaqueta dela ranger. As palavras saíram sufocadas.
— Quem te pediu acesso às câmeras? Pra quem você está trabalhando? — perguntei, sentindo cada sílaba sair como um aviso.

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