Capítulo 142
Rúbia
O sol já tinha subido quando abri os olhos, e mesmo assim o quarto parecia mergulhado numa penumbra preguiçosa — cortinas de hotel pesadas, lençóis brancos, o cheiro dele ainda no ar. Meu corpo doía como se eu tivesse corrido uma maratona, mas um sorriso idiota se formou no meu rosto ao lembrar do motivo.
A nossa noite de núpcias.
Fechei os olhos por um instante e deixei que as lembranças me atravessassem — a forma como ele me segurou, como parecia lutar contra o próprio controle, o calor das mãos grandes explorando cada pedaço de mim. Eu, que sempre disse que não me envolveria com ninguém do mundo dele, agora era a esposa de um mafioso.
Um mafioso que, por ironia, me fazia sentir segura.
Ouvi o som discreto da maçaneta. Virei o rosto, o lençol escorregando um pouco pelo ombro. Derrick apareceu — só de cueca preta e com uma bandeja nas mãos. O contraste entre o corpo dele e a delicadeza com que equilibrava aquela bandeja me arrancou um riso baixo.
— Café na cama? — provoquei. — Vai me acostumar mal.
Ele deu um meio sorriso, aquele que sempre parece controlar até o quanto de emoção pode mostrar.
— É a tradição, não é? Primeira manhã depois do casamento.
— Hm, pensei que a tradição fosse dormir até meio-dia — brinquei, ajeitando o lençol sobre o peito.
Ele deixou a bandeja na mesinha ao lado e sentou na beirada da cama. O colchão afundou sob o peso dele.
— Dormir não combina comigo — respondeu, pegando o celular da mesinha.
Os dedos dele deslizaram pela tela, rápidos, mecânicos. O rosto sério de sempre.
— Não vai relaxar, não? — perguntei, observando-o com o cabelo bagunçado e o olhar concentrado. — Estamos casados, lembra? Lua de mel. Nenhum tiro, nenhuma missão, nenhum Luca chamando você de madrugada.
Ele não levantou o olhar de imediato.
— Não consigo. — respirou fundo. — Acostumei a sempre cuidar de tudo.
A sinceridade dele tinha algo desarmante. Suspirei e puxei o lençol, cobrindo um pouco mais as pernas.
— Você sabe que isso não é saudável, né? — disse, meio rindo. — Vai acabar tendo úlcera.
Ele olhou pra mim, por fim, e arqueou uma sobrancelha.
— E você é especialista em quê agora? Psicologia?
— Em observar marido tenso — retruquei, divertida. — Além disso, acabei de me formar em “como sobreviver à primeira noite com um homem que acha que controle é forma de carinho”.
Ele soltou um riso abafado.
— E eu passei?
— Com louvor — respondi, mordendo o lábio.
Derrick apoiou uma das mãos no colchão e se inclinou até o rosto dele ficar a poucos centímetros do meu.
— Cuidado com o que fala, mulher… — murmurou, a voz baixa, rouca. — Posso achar que quer repetição.
— Talvez eu queira — sussurrei.
Ele encostou os lábios na minha testa e depois se afastou com um suspiro. Voltou a pegar o celular.
— Escuta, onde ficou a pasta com o contrato pré-nupcial?
A pergunta caiu no quarto como uma pedra no lago.
Pisquei, confusa.
— Na nossa casa. Eu assinei e coloquei lá no escritório. Por quê?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Roubada no altar pelo chefe da Máfia