Capítulo 145
Luca Black
O helicóptero sobrevoou. A cidade lá embaixo era um borrão de luzes; dentro, a verdade vinha em caixas, pronta para abrir. Tamy estava amarrada, olhos grandes demais, maquiagem borrada e o rosto sagrando. Parece sempre incrédula ao ser descoberta — gente assim vive na surpresa até o dia em que a surpresa vira sentença.
Quando entrei, ela tentou falar. A voz fraquinha, o mesmo tom de sempre, falsa:
— Luca, espera. Nada é como parece. Eu só... — Como se eu fosse cair nessa. Já dei oportunidade demais pra essa estúpida.
Eu calei ela com as mãos, apertando seu pescoço. Não precisei gritar. O silêncio me serviu como aviso.
— Cala a boca. — Falei curto.
Ajoelhei até ficar cara a cara. O vidro do helicóptero estava frio; apoiei a mão no metal ao lado do rosto dela, para que ela sentisse a distância entre o que fez e a consequência. Esfreguei sua cara no metal do helicóptero.
— Quer me explicar sobre a mensagem com a minha gravata no seu quarto? — perguntei. — "Quando" entrei lá hoje, filha da puta? Como se Riley fosse acreditar numa mentira podre daquela.
Ela tentou rir. A resposta saiu tropeçando.
— Eu só queria provocar... eu só...
A palma da minha mão encontrou a cara dela numa batida que foi aviso — não era espetáculo, era fechamento de conta. O som do tapa foi seco; ela sentiu o corpo inteiro. Levantei a mão outra vez. Bati outra vez. Mais forte. A segunda lição é para quem acha que a primeira foi exagero.
— Eu disse para você esquecer que eu e a minha família existimos — falei. — Você não entendeu? Agora vai pagar.
— Eu só queria você.
— Só? — Gargalhei — E achou que sendo vadia, traidora teria uma chance? Se enxerga. Você não tem condições nenhuma disso. Não chega aos pés da Riley. — Ficou me olhando com raiva.
.
Quando pousamos, não teve drama: meus homens a arrastaram para fora, sem gritaria desnecessária. Eu andei junto, cada passo pesado como promessa. Joguei ela no chão do pátio do reduto. O mundo ali virou pequenino, os gritos abafados pela noite.
Apontei a arma.
— Onde está o parasita do Walter!?
— Eu não sei. Ele tá cagando pra mim depois que entreguei as imagens da sua casa ele só me enrola. Tá vendo? E você quer descontar só em mim?
Ela chorou. Deu explicações de boca torta, culpa e medo misturados. Falou que ele a usou, que prometeu muito e sumiu, que ela precisava se impor. Vomitou desculpas de quem sabe que errou. Eu escutei até onde me serviu.
— O que Walter quer com a minha esposa? — perguntei curtamente, olhando para ela.
Ela começou a falar, a voz escancarada de culpa e medo.
— Ele quer vingança. Ela destruiu o relacionamento dele com a Emma e depois você o mandou pra cadeia. Ele odeia vocês.. .
— Ah, então somos os culpados? Vai se foder Tamyres. Você sempre foi vadia mas dessa vez superou.
— Eu não tinha mais o que fazer — ela resmungou. — Foi o único aliado que achei. Eu só queria... você. Não entende, está cego por ela.
Eu olhei para ela e vi a mesquinhez da própria confissão. Falta de vergonha. Falta de bom senso. Falta de inteligência para vender a própria pele.
— Nem vou perder meu tempo com você. É uma inútil com conversa inútil..
— Luca por favor..
— Acabou. — Falei. — Não quero mais espetáculo.
Tamy implorou. Tentou ainda usar o nome de Walter como escudo. Disse que se eu a matasse, ninguém saberia onde buscar o verme. Eu não quis saber do verme. Eu quis que ela pagasse por ter cruzado a linha.
— Vai morrer — disse. — Pela traição.
Não expliquei. A ação foi rápida. Não vou brindar a cena com detalhes. O que importa é o resultado: ela caiu morta com o tiro que disparei na cabeça.
Os homens que fizeram o trabalho estavam sujos de suor e de profissionalismo. Ordenei que um deles fotografasse a maldita destruída e de cabeça pra baixo: não por fetiche, por prova. A foto serviria para mim. Para a Riley. Para mostrar que quem mexe com a minha casa paga. Mostrar que eu cuido do que é meu. Para provar que, se preciso, eu arrumo a conta.
Saí do lugar com as mãos limpas quanto bastava para andar pela noite. No caminho de volta para casa, mandei uma mensagem curta para Derrick:
“Volto a tempo. Cuida dela.”
Quando entrei em casa, Riley me olhou. Vi no rosto dela mil perguntas, medo, e a habitual raiva que carrega quando algo a incomoda.
Mas então ela puxou uma arma, desmontou com raiva em fração de segundos e atacou as peças em mim.
— Pode voltar de onde veio, Luca Black. Já chega dessa palhaçada. Eu aguentei até agora, mas tudo tem limite. Vá ficar com aquela vadia que não preciso de esmola.
Segurei a maior parte das peças com as mãos, mas um pedaço acertou minha testa. Ela realmente estava brava pelas mentiras da vagabunda.
— Uau. Eu sabia que aprenderia a desmontar e montar com facilidade. — Sorri ao dizer. Mas o olhar dela deixou claro...
— Eu vou te matar Luca...
Eu só precisava ser rápido o suficiente pra mostrar a foto de Tamyres morta antes disso.

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